Reintegração de posse no Capão Redondo é concluída; mudança continua na terça

Marcelle Ribeiro
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O comandante do 37º BPM (Batalhão de Polícia Militar) de São Paulo, tenente coronel Carlos de Carvalho Júnior, afirmou no final da tarde desta segunda-feira (24) que foi concluída a reintegração de posse em área de propriedade da viação Campo Limpo sobre a qual foi erguida a favela Parque do Engenho, no Capão Redondo, zona sul de São Paulo.

Veja imagens da reintegração


Segundo o coronel, não há mais nenhum barraco na região, mas a mudança dos objetos das famílias retiradas do local ainda não acabou, e será concluída apenas na manhã desta terça-feira. De acordo com Carlos de Carvalho, policiais militares permanecerão no local durante a noite e também acompanharão a continuidade da mudança dos moradores na terça-feira, que deve começar às 6h.

A ação de reintegração de posse teve início na manhã de hoje. Cerca de 1.500 pessoas moravam na favela, formada por cerca de 800 barracos. A área, de 14 km², pertence à viação Campo Limpo, que conseguiu a reintegração de posse na Justiça. Segundo a polícia, os moradores atearam fogo em 14 barracos, dentro dos quais estariam os pertences deles próprios, e jogaram pedras e bombas caseiras nos policiais. A PM afirma que conteve o tumulto com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo.

Três pessoas foram presas na ação: duas teriam jogado rojões em policiais e outra teria atropelado um PM ao furar um bloqueio. O policial atropelado foi levado para um hospital da polícia. O motorista, segundo Carlos de Carvalho Júnior, será autuado por tentativa de homicídio e já havia cumprido pena por tráfico de drogas.

O comandante do 37º BPM afirmou que a maior parte dos moradores já deixou o local, mas, segundo o morador José Marcos da Silva, metade ainda está na área, por não ter para onde ir. "As famílias estão na lama, no meio das ruas e a polícia quer que a gente saia da rua. O Conselho Tutelar e a subprefeitura de Campo Limpo não vieram aqui hoje. As famílias não têm para onde ir", disse Silva, que afirmou desconhecer casos de moradores que tenham sido levados para abrigos.

Defensoria diz que área deveria ser destinada à moradia popular
Em nota, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo informou que propôs, no dia 4 de agosto, uma ação civil pública para suspender a reintegração de posse e inserir os moradores da comunidade em programas habitacionais. Segundo o órgão, antes de ser habitado pelas famílias, o terreno estava desocupado há mais de 20 anos, servia de depósito de lixo e era usado para prática do crime de estupro. A liminar da Defensoria foi negada pela 6ª Vara de Fazenda Pública.

O defensor público Carlos Henrique Loureiro informou que a área reintegrada nesta segunda é uma Zona Especial de Interesse Social 2, de acordo com o Plano Diretor de São Paulo. Isto significa, segundo a Defensoria, que o local é inutilizado e deveria servir para a construção de moradia popular. "Ressalte-se que, dentre as 800 famílias, existem cerca de 300 crianças, que, inevitavelmente, com o cumprimento da liminar, não terão para onde ir e ficarão alojadas na rua", afirmou o defensor, em nota.

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