Táxi adaptado para cadeiras de rodas começará a circular em BH; custo alto pode frustrar iniciativa

Rayder Bragon Especial para o UOL Notícias Em Belo Horizonte

Modelo adotado em São Paulo e no Rio de Janeiro, o táxi adaptado para deficientes físicos deverá começar a circular em Belo Horizonte nos próximos meses. O veículo permite que o passageiro seja transportado sem a necessidade de sair da cadeira de roda.

Taxi para cadeirantes

  • Divulgação
  • Protótipos dos taxis que vão rodar em Minas

A intenção do Sincavir-MG (sindicato que representa a categoria dos taxistas em Minas Gerais) é que parte dos cerca de 6 mil taxistas de Belo Horizonte troque os atuais carros pelos modelos que são adaptados, conforme as fotos ao lado.

Até então, os cadeirantes, para se locomoverem em distâncias maiores pelo serviço público, contavam com mecanismo semelhante em alguns ônibus da frota da capital.

Uma portaria publicada no dia 8 deste mês no Diário Oficial do Município (DOM) liberou a circulação dos modelos especiais em Belo Horizonte, porém, com restrições.

Segundo o texto, os motoristas deverão passar previamente por treinamento específico para lidar com pessoas portadoras de deficiência ou mobilidade reduzida. Ao final do curso, o aluno deverá apresentar certificado de aprovação de instituição especializada, cujo conteúdo terá de ser previamente autorizado pela BHTrans (empresa que gerencia e fiscaliza o trânsito em Belo Horizonte).

A procura pelo novo modelo deverá ser impulsionada gradativamente, segundo diretor do sindicato.

"Como o projeto é novo, e as questões burocráticas foram resolvidas há pouco tempo, eu acredito que os taxistas que queiram atender a essa parcela da população deverão aderir aos poucos à novidade", disse Avelino Moreira Araújo.

Araújo explicou que quando não há transporte de cadeirante, o sistema retorna os bancos às posições usuais, permitindo ao motorista transportar também passageiros sem necessidades especiais.

Sem citar números, ele afirmou que pesquisa prévia foi feita pelo sindicato apontando uma crescente demanda em busca desse tipo de serviço. A tarifa cobrada dos usuários nesses novos veículos não terá distinção da tabela em vigor atualmente na cidade, conforme a portaria.

De acordo com norma que rege o setor na cidade, a cada 5 anos o taxista é obrigado a trocar o carro de trabalho por modelo 0 km.

"Normalmente os taxistas de Belo Horizonte preferem trocar seus carros de dois em dois anos", disse o diretor, que revelou ter ao menos ciência da disposição de outra montadora de carros em fabricar o modelo adaptado.

Segundo a assessoria de comunicação da Fiat, 20 pedidos de compra já foram registrados por taxistas da capital.

Preço pode afugentar taxistas
O vereador da capital Leonardo Mattos (PV), que é cadeirante, testou o protótipo e disse ter ficado satisfeito com o novo meio de transporte. No entanto, analisa que a iniciativa talvez não vingue por causa do preço do carro e do temor de haver poucas unidades circulando.

"O carro tem um acesso fácil. Ele promove a total autonomia do cadeirante, porque ele entra no veículo sem precisar ser ajudado e com sistemas razoáveis de segurança. Mas eu receio que o taxista vá se sentir pouco motivado por causa do preço do carro, que custa em torno de R$ 63 mil, enquanto a média de preço de outros veículos utilizados pela categoria fica em R$ 30 mil", explicou Mattos, que também faz parte da AMP (Associação Municipal de Paraplégicos) de Belo Horizonte.

Para ele, a ideia só vai deslanchar com subsídios do governo ao taxista, para a aquisição do modelo. Outra hipótese aventada pelo vereador seria a participação de cooperativas de taxistas na compra dos carros.

"Se houver poucos carros rodando na cidade, não dá para oferecer esse tipo de serviço ao deficiente, porque não seria viável uma pessoa ficar esperando indefinidamente até que surja um táxi adaptado. Teria de haver uma quantidade razoável desses veículos para que a prestação desse serviço não seja extinta naturalmente" avaliou.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), existem aproximadamente 25,5 mil deficientes físicos (levando-se em consideração apenas cadeirantes) em Belo Horizonte(Censo 2000).

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