Justiça mantém condenação de coronel responsável pelo massacre de Eldorado dos Carajás

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Massacre matou 19 no Pará

  • Folha Imagem

    A sem-terra Andreina Araújo, com o filho no colo, chora a morte do marido à beira de sepultura no cemitério de Curionópolis (PA)

Os ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitaram por unanimidade nesta terça-feira (25) o recurso do coronel Mário Collares Pantoja e do major José Maria Pereira de Oliveira, da Polícia Militar do Pará, condenados pela morte de 19 sem-terra no chamado massacre de Eldorado dos Carajás.

O confronto aconteceu em 1996 e deixou centenas de feridos e 69 mutilados. Pantoja, apontado como responsável pela operação da polícia, foi condenado a 228 anos de prisão. Apenas ele e Oliveira foram punidos entre os mais de 150 homens que participaram da operação.

O incidente aconteceu em 17 de abril de 1996, quando membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) protestavam na rodovia PA-150, em Carajás, sul do Pará, a 754 km da capital Belém. A polícia diz ter ido ao local com o objetivo de desbloquear a estrada.

O episódio gerou críticas ao então governador Almir Gabriel (PSDB), que teria dado a ordem da ação ao secretário de Segurança do Pará, Paulo Sette Câmara.

Os sem-terra acusaram os policiais de não negociarem com as lideranças do movimento e de chegar ao lugar com bombas de gás lacrimogêneo. Policiais afirmaram que apenas responderam a ataques feitos com pedras, facas e foices. Os manifestantes cobravam alimentação e transporte para ir a Marabá, a 100 km dali, e Belém para exigir a desapropriação da fazenda Macaxeira.

Entre os 19 mortos, havia 37 perfurações de bala. Muitas vítimas levaram tiros na nuca e na testa, o que indica execução em muitos casos. Mais de 10 dos outros mortos mostravam cortes de foices e facões, que teriam sido tirados pelos policiais.

Um dos líderes dos sem-terra da região, Oziel Alves Pereira, 17, foi preso ainda vivo, de acordo com testemunhas. Pouco depois foi encontrado morto, baleado quatro vezes.

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