Paralisação de policiais federais termina sem avanço nas negociações

Ana Sachs*
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A mobilização de policiais em frente à sede da Polícia Federal em Brasília encerrou-se sem avanço nas negociações. De acordo com o diretor jurídico do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal (Sindipol-DF), Flávio Werneck, "a direção geral do Departamento de Polícia Federal está com as portas fechadas para nossas solicitações". Os manifestantes não conseguiram ser ouvidos pela DPF.

Ele afirma que uma nova pauta de mobilizações será negociada na 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), que acontece entre os dias 27 e 30 de agosto, em Brasília, e que até essa data não devem acontecer novas paralisações. "Vamos definir a pauta de mobilizações no Conseg, mas estamos em alerta", disse.

Em Brasília, segundo ele, a paralisação durou das 8h às 17h. Cerca de 300 policiais aderiram à greve e realizaram um protesto em frente à sede da Polícia Federal.

Nas demais localidades a orientação da Federação Nacional dos Polícias Federais (Fenapef) era de que fosse realizada uma paralisação nas atividades de cerca de 2 horas, das 9h às 11h. A mobilização previa ainda manifestações em frente a delegacias, superintendências e demais unidades da Polícia Federal.

Os policiais protestam contra o rebaixamento de 40% da categoria, as nomeações na cúpula da PF, a falta de plano de carreira na entidade e a nova Lei Orgânica, proposta pelos ministérios do Planejamento e da Justiça.

De acordo com o presidente do Sindipol/DF, Cláudio Avelar, 40% dos novos concursados foram aprovados para a segunda classe (especial) e, por meio de uma medida provisória, foram colocados na terceira classe (mais baixa).

Segundo ele, o rebaixamento significa mais uma classe na carreira e, consequentemente, mais tempo de trabalho e mais tempo para se chegar à aposentadoria. "A questão não é o salário, mas a desmoralização", diz.

Em relação à Lei Orgânica, o Sindipol/DF acredita que os pontos que tratam da ampliação das atribuições dos policiais e do reconhecimento do nível superior ficaram até agora apenas nas promessas.

O texto do projeto de lei tenta atender ao desejo do governo federal, que não quer abrir mão de indicar o diretor e não pretende desvincular a PF do Ministério da Justiça, ao mesmo tempo em que tenta melhorar a independência do órgão. As entidades de classe querem a total autonomia política.

"O nosso protesto acontece porque os policiais não acreditam no seu chefe, não acreditam na cúpula e, por isso, estão desmotivados e não trabalham bem. O diretor-geral mente para nós e mente para o governo federal, que acha que está tudo bem. Internamente a situação é muito ruim. O nível das operações está caindo e estamos muito insatisfeitos. Estamos na beira do caos e temos que resgatar a categoria", explica o sindicalista.

Além disso, o sindicato reclama da valorização do profissional terceirizado, em detrimento do concursado, e da falta de diálogo com a direção e o governo.

*Com informações de Fabiana Uchinaka

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