Gripe suína adiciona mais uma preocupação à lista de perguntas das grávidas

Haroldo Ceravolo Sereza Do UOL Notícias Em São Paulo

A enfermeira responsável avisa ao repórter que não vai tratar do assunto gripe, que só vai distribuir os panfletos informativos e que o curso não é sobre isso. Tudo bem, o repórter já sabia.

Pais e mães contam como lidam com a gripe suína

Grávidas e seus maridos entram na sala. Um casal e uma futura mãe já usam as máscaras cedidas pelo Grupo de Apoio à Amamentação do Hospital São Luís, em São Paulo, responsável pelos cursos que tiram dúvidas de gestantes que, no máximo até dezembro, serão mães.

Antes de começar, a enfermeira Célia Yamagatu se dirige para as janelas e deixa claro: elas estão abertas, o ar condicionado está desligado, as portas ficam abertas. As grávidas e seus companheiros podem respirar um pouco mais aliviados.

Médico explica cuidados da gestante


Outro cuidado tomado, segundo a enfermeira obstetra Márcia Regina da Silva, responsável pela organização do curso, foi a redução do tamanho das turmas.

A aula realmente não se centra na gripe suína. Afinal, gestantes têm dúvidas. Dúvidas sobre tudo o que se relaciona ao bebê e ao parto. A gripe suína "apenas" acrescentou uma nova preocupação, e o ritual de cuidados que envolvem toda e qualquer gravidez ganhou novos pequenos procedimentos: evitar aglomerações, pensar duas vezes antes de ir às compras, manter distância cautelosa de quem pode ser um transmissor involuntário do vírus.

"No começo, eu estava mais tranquila. Daí comecei a ler um monte de coisa", conta Anne Paule Gentil Leite. E grávida lê tudo, reconhece. A notícia de que a mortalidade causada por gripe suína era proporcionalmente maior entre as grávidas deixou Anne mais atenta e a faz carregar álcool gel dentro da bolsa. "É mais uma coisa de preocupação, mesmo. Se eu não estivesse grávida, estaria menos preocupada. É mais por ter o bebê, mesmo, ter uma pessoa aqui dentro", diz, olhando para a barriga.

Atormentada
A relações públicas Taís Colaneri Marin usa uma palavra mais forte que "preocupada". "Eu fiquei bem atormentada. Na televisão, todo dia aparece pelo menos uma grávida que morreu [em decorrência da gripe suína]." Taís entrou, então, em contato com a médica, que lhe explicou: "A grávida é mais sensível e, para proteger o próprio feto, o corpo da gestante tem um sistema imunológico que reage mais lentamente." Assim, o risco é maior. "Numa dessas, se cai um vírus da gripe no nosso corpo, o corpo não vai se defender imediatamente. Então ele pode ficar lá bastante tempo até ter uma reação", continuou a médica.

Todas as mães presentes são de primeira viagem. Portanto, piadas com o tamanho do sutiã de amamentação que vão levar para a maternidade, dois números maior que o pré-gravidez, como sugere a enfermeira, rendem boas risadas. Mas são risadas controladas, tensas, de quem leva muito a sério o assunto - a ponto de algumas já terem comprado o sutiã um número maior, o que talvez tenha de ser revisto.

Um vídeo mostra os diferentes apartamentos e suítes à disposição dos pais. Mas, acabada a exposição, um pai questiona: "E a identificação do bebe, é no momento do parto?" Sim, porque pai também tem muita dúvida.

Os pais e mães se apresentam uns aos outros e dizem quais são suas principais questões: como segurar o bebê, quais os primeiros cuidados que terão de ter, como é o trabalho de parto, como dar banho. Como é o final da gestação, a amamentação, o banho. O registro, os primeiros cuidados, o fim da gestação, a amamentação, o banho. Um pai, engenheiro, acompanhado da mãe também engenheira, é direto e resume: o que ele quer é um "manual de instruções".

No intervalo, pelo menos dois pais relatam conhecer pessoas muitos próximas que tiveram a gripe ou foram classificados como suspeitos. Um teve dois sócios com os sintomas, outro, um irmão, cunhada e sobrinho.

Todos, homens e mulheres, conheciam na ponta da língua as recomendações que o hospital reforçou com uma cartilha: evitar locais cheios, contato com muitas pessoas, limpar bem as mãos, procurar o médico em caso de sintoma da gripe.

"Meu dia-a-dia não mudou muita coisa", afirma Solange Custódio, que passou a evitar restaurantes por quilo, onde, acredita, o risco de contaminação é maior. "Não vou muito ao cinema, shopping, mas continuo tendo uma vida normal. Não uso máscara, uso álcool em gel. Tudo tranquilo".

Tudo tranquilo. Mas, tranquilo mesmo, só depois do parto.

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