Temporão diz que lamenta número de mortos por gripe suína e constesta forma de cálculo do indicador

Paula Laboissière Da Agência Brasil Em Brasília

Em números absolutos, Brasil ultrapassa EUA e é o país com mais mortes

O Ministério da Saúde confirmou nesta quarta-feira (26) que 557 pessoas morreram no Brasil até o dia 22 de agosto vítimas do vírus da gripe suína (H1N1). Com a confirmação de novas mortes, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o país com mais óbitos causados pela doença no mundo.


O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse hoje (27) que lamenta o número de mortes registradas no país por influenza A (H1N1) - gripe suína, mas admitiu que o ministério já previa que isso aconteceria.

"Estamos no Hemisfério Sul em pleno período de frio. A situação, com certeza, vai mudar bastante", disse, Temporão em entrevista coletiva.

Ele condenou a forma de cálculo de mortos pela doença, que leva em consideração o número absoluto e desconsidera a proporção com a população. Para ele, "não é um indicador razoável". O cálculo correto considera o número de mortes por grupos de 100 mil habitantes.

"É muito precoce para fazermos análises quantitativas. Estamos no início de uma pandemia que atingiu o mundo inteiro e em um período muito curto."

Temporão lembrou a autorização do governo para a liberação de um crédito extraordinário no valor de de R$ 2 bilhões para o enfrentamento da doença.

Segundo ele, o país vai fazer uma licitação internacional para comprar vacinas em quantidade superior à capacidade de produção do Instituto Butantan.

O ministro acredita que os recursos serão liberados rapidamente. "Pedimos recursos olhando o problema da doença como um todo, desde a prevenção à capacitação, para estramos preparados para uma eventual chegada de uma segunda onda da doença", disse.

Sobre o monitoramento de pacientes que estão usando o medicamento Tamiflu, ele afirmou que, por se tratar de uma doença nova, é preciso desenvolver estudos com base em aspectos clínicos e na eficácia do remédio. "Como o microorganismo não existia, um medicamento que foi desenvolvido para enfrentar outra doença [gripe aviária] está sendo usado", afirmou.

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