Em três meses, área nobre do litoral baiano registra mais de 150 casos de criminalidade

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Os altos índices de violência que provocaram quase mil assassinatos desde o começo do ano somente na região metropolitana de Salvador já alcançam as casas e os condomínios de classe média alta no litoral baiano, na região ao norte de Salvador, uma das regiões mais frequentadas do Estado.

Desde que foi inaugurada, há três meses, a 34ª Delegacia de Polícia, em Lauro de Freitas, registrou 154 roubos, furtos e arrombamentos nos bairros de Villas do Atlântico, Buraquinho e Portão, locais onde se concentram alguns dos principais empreendimentos turísticos da Bahia. Na Linha Verde - rodovia que liga Salvador a Aracaju pelo litoral - e no bairro de Vila de Abrantes (litoral norte de Salvador) outras 92 casas foram arrombadas desde janeiro. Também desde o começo do ano pelo menos 60 famílias foram feitas reféns na região.

"Antes, Villas do Atlântico era um paraíso. Agora, vejo as pessoas com medo, colocando cadeados em suas casas", disse o empresário Roberto Menezes.

De acordo com a delegada Jamila Santos, que trabalha em Vila de Abrantes, existem quadrilhas especializadas em arrombamentos e assaltos a residências atuando na região, onde moram famílias de alta renda.

"Fizemos uma análise e constatamos que Jauá [praia da cidade de Camaçari] foi a região que registrou os maiores índices de arrombamentos e assaltos a residências nos últimos meses." A delegada observa, porém, que a principal quadrilha que agia na região foi desarticulada. "Vamos continuar trabalhando com inteligência para localizar e prender todos os envolvidos nos arrombamentos".

Segundo os delegados e investigadores que trabalham no litoral, a ação das quadrilhas varia de acordo com o perfil do lugar. Nas residências, os criminosos agem mais nos finais de semana e feriados. Já nas casas de veraneio, os furtos acontecem com mais freqüência durante a semana, quando, em geral, o imóvel está vazio.

"Há muitas pessoas que somente vêm às suas casas nos finais de semana e feriados e não têm caseiros. Estas pessoas são um alvo preferencial das quadrilhas", disse o professor Márcio Jonas Ribeiro, que tem uma casa em Guarajuba, outra praia de Camaçari, no litoral norte.

"Já fui assaltada duas vezes na praia este ano. Depois disso, coloquei minha casa à venda", afirmou a estudante de direito Márcia Gusmão.

O Centro de Documentação e Estatística Policial (Cedep) não dispõe de estatística precisa sobre a evolução dos casos de assaltos nessa região, mas, desde que tomou posse, em janeiro de 2007, o governador Jaques Wagner (PT) convive com o aumento dos índices de violência na Bahia. Insatisfeito com o desempenho da Secretaria da Segurança, o governador trocou toda a cúpula do órgão no início deste ano e promoveu um concurso público para contratar 3.200 policiais.

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