Coveiros fazem greve em cemitérios de Salvador e suspendem enterros

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Atualizado às 14h50

Por falta de pagamento, os 40 coveiros que trabalham nos dez cemitérios municipais de Salvador e ilhas que pertencem à capital baiana - bairros de Pirajá, Plataforma, Periperi, Paripe, Brotas, Itapoan, e ilhas de Paramana, Ponta de Nossa Senhora, Ilha de Maré e Bom Jesus - entraram em greve por tempo indeterminado, suspendendo, desde esta segunda-feira (31), a abertura de covas para a realização de enterros. A categoria alega que há mais de dois meses não recebe salários. Os corpos que ainda não foram enterrados estão dentro dos respectivos caixões nas empresas funerárias.

"Desde ontem [segunda], quando o movimento começou, só consegui fazer um enterro e, mesmo assim, com a ajuda de um parente do morto. Tenho mais dois enterros para fazer, mas os coveiros estão sentados, de braços cruzados, e não consigo sequer agendá-los", afirmou o agente funerário Alberto Lima Neto, informando que está embalsamando os corpos que não consegue sepultar.

Nos cemitérios públicos de Salvador, o serviço é terceirizado - a empresa Alternativa é responsável pela contratação e pagamento dos coveiros. A prefeitura reconhece que ainda não pagou a fatura de agosto (valor bruto de R$ 53 mil) porque a empresa não apresentou alguns documentos exigidos em contrato. Cada coveiro em Salvador recebe R$ 501 por mês.

A Sesp (Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Prevenção à Violência) informou que exigiu da Alternativa que pelo menos 30% dos coveiros trabalhem normalmente, conforme estabelece a legislação.

"Estamos sendo coagidos pela empresa, mas não vamos ceder. Os poucos enterros que foram realizados aconteceram porque a prefeitura deslocou alguns funcionários para os cemitérios", disse o coveiro José Santana. "Com a greve, pelo menos 20 enterros deixaram de ser realizados", acrescentou.

No cemitério do bairro Plataforma, um único coveiro, que pediu o anonimato, tem assegurado a abertura de covas. A categoria não tem vínculo com sindicatos ou associações, por isso teme retaliações.

Na segunda-feira, o coveiro trabalhou em dois sepultamentos, quando o normal, diariamente, diz, fica em torno de oito enterros. O coveiro diz que foi o único a não aderir à paralisação porque teme perder o emprego.

"É o que vemos, quando tem greve e eu tenho família para sustentar", justifica o coveiro, acrescentando que, além do bairro Plataforma, onde está lotado, tem sido levado a outros cemitérios, para ajudar nos enterros. Nesta terça-feira, entretanto, ele tem apenas um enterro agendado para as 15h.

A Prefeitura de Salvador cobra R$ 14,26 para realizar um enterro nos dez cemitérios que pertencem ao município - nos cemitérios particulares, o custo médio de um sepultamento é de R$ 7.000.

"Sempre sobra para os mais pobres. A gente ainda está abalada pela morte de um parente e ainda tem que ajudar a jogar terra e colocar o caixão na cova", afirmou Larissa Mendes, que acompanhou o enterro de um parente no cemitério de Itapuã.

Procurada, a Alternativa não quis se pronunciar sobre a greve dos coveiros. Funcionários da empresa informaram que os responsáveis estavam participando de uma reunião em Brasília.

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