Ministro das Cidades afirma que governo vai lançar PAC da Mobilidade

Da Agência Câmara

O ministro das Cidades, Márcio Fortes, afirmou nesta terça-feira (1º) que o governo vai lançar o PAC da Mobilidade, uma variante do Programa de Aceleração do Crescimento voltada para a mobilidade urbana, a exemplo dos PACs da habitação e infraestrutura, já em andamento. O anúncio foi feito em Brasília, na abertura da 10ª Conferência das Cidades, promoção da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados.

Segundo o ministro, o programa ainda está em discussão dentro do governo e terá como gancho as obras para a Copa do Mundo de Futebol 2014 e, possivelmente, as futuras Olimpíadas a se realizarem no Brasil, caso o País seja aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional.

"O país, antes do PAC [o original], não tinha a tradição de um programa de desenvolvimento organizado e planejado. Isso dificulta um pouco o trabalho, porque é preciso equipes técnicas", afirmou o ministro, que também disse que o governo federal precisa das prefeituras e governos estaduais para esse trabalho. "Isso sem falar que todas as ações passam por uma série de instâncias, como o Tribunal de Contas da União (TCU)."

Perfil do transporte
Em seguida, o pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada) Carlos Henrique Carvalho afirmou que, ao longo dos últimos dez anos, o número de passageiros de ônibus diminuiu no país, enquanto as vendas de motos e carros teriam explodido. Os dados são fruto de trabalho feito pelo instituto sobre a mobilidade urbana do Brasil.

Segundo ele, a frota de automóveis de passeio é de 28 milhões de veículos, a que se somam 9 milhões de motocicletas e apenas 100 mil ônibus urbanos. Quanto menor a cidade, afirmou, maiores os deslocamentos não motorizados ou com motocicletas. Nas cidades pequenas praticamente não há transporte coletivo: menos da metade das cidades com menos de 50 mil habitantes contam com ônibus urbanos.

Carvalho apontou ainda que o Brasil vem se aproximando rapidamente do padrão norte-americano, o pior do mundo, segundo ele, no que se refere ao gasto de energia para locomoção. A melhor relação energia/deslocamento está nas grandes cidades asiáticas, seguidas pelas europeias e pelas australianas.

Ele ressaltou que, nos últimos 15 anos, houve sensível aumento na proporção de trabalhadores que gastam mais de uma hora no transporte entre a casa e o trabalho.

Entre as soluções sugeridas pelo pesquisador, estão a priorização do transporte público, com possível restrição à compra e ao uso de automóveis privados, à exemplo da prática de rodízio nas grandes cidades; a redução no custo do transporte público, com abatimento de tributos; e o fim da gratuidade de passagens, o que reduziria o preço geral em 20%.

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