Moradores de Heliópolis, em SP, queimam veículos e entram em confronto com a PM

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Atualizado às 22h57

Moradores da favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, colocaram fogo em ao menos dois veículos e três ônibus no início da noite desta terça-feira durante protesto um dia depois da morte de uma estudante de 17 anos, vítima de uma bala perdida. Policiais Militares e a Tropa de Choque foram enviados ao local para tentar conter a manifestação que ainda ocorria por volta das 22h45. Houve confronto, com bombas e balas de borracha atiradas contra os moradores. Os bombeiros, acionados para controlar os focos de incêndio, foram recebidos a pedradas e a polícia bloqueou os acessos à favela.

Veja imagens do protesto de ontem


Este é o segundo protesto no local. Revoltados, os moradores fizeram outro protesto violento ontem (veja vídeo ao lado). A polícia foi chamada e também houve confronto com os manifestantes.

A PM não soube informar quantos moradores participam do protesto de hoje. Um policial ficou ferido, mas não foi divulgado seu estado de saúde.

A estudante morta com uma bala perdida estava voltando para casa na segunda-feira (31) após sair da escola, e foi atingida durante um tiroteio entre guardas civis metropolitanos de São Caetano do Sul e supostos criminosos. Ela teria tentado se esconder atrás de um carro, sem sucesso. A jovem tinha uma filha de 1 ano e 8 meses.

As armas dos guardas foram apreendidas para exame no Instituto de Criminalística.

Disparo
O supervisor da Guarda Civil Metropolitana (GCM), Adenízio Nascimento, disse hoje que é "ainda é muito cedo para dar qualquer resposta" sobre de qual arma partiu o disparo que matou a estudante. Os manifestantes alegam que o tiro que acertou a jovem foi disparado por um guarda civil.

Os guardas civis metropolitanos perseguiam um veículo roubado pouco antes em São Caetano do Sul, no ABC paulista, ocupado por um casal. De acordo com Nascimento, a perseguição começou no Jardim São José, quando os suspeitos fugiram ao perceber a presença das viaturas, e seguiram rumo a Heliópolis. Conforme o guarda, os ocupantes do carro atiraram várias vezes contra os guardas civis, que revidaram.

Durante a perseguição, o automóvel chegou a bater contra um dos quatro carros da polícia que os perseguiam. Neste momento, de acordo com Nascimento, o suspeito desceu do carro e atirou contra uma delas, que foi atingida por dois disparos na traseira. Já em Heliópolis, o homem desceu do veículo e correu, seguido por GCMs. "Ao entrarem em varredura (na rua), os guardas viram essa parte (a garota) no chão, alvejada", afirmou Nascimento. Já a mulher foi detida dentro do carro, sem reagir.

A garota, que tem uma filha de 1 ano e 8 meses, foi baleada no pescoço e socorrida no Pronto-Socorro de Heliópolis. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu em seguida. A bala ficou alojada no pescoço e a perícia deve apontar de qual arma partiu o tiro. De acordo com Nascimento, o guarda que pode ter disparado o tiro fatal -que por enquanto não teve o nome divulgado- deve ficar afastado das suas funções até que o caso seja esclarecido. As armas dos guardas envolvidos serão apreendidas e encaminhadas à perícia.

Suspeita detida
A suspeita detida dentro do automóvel foi reconhecida pela vítima como uma das autoras do roubo. A dona do carro, uma estudante universitária, foi roubada quando chegava em casa, voltando da faculdade. Nenhuma arma foi encontrada com a mulher detida, mas a Polícia Civil deve solicitar um exame residuográfico para checar se encontra resíduos de pólvora nas mãos dela, que deve ficar presa por roubo. O caso foi registrado no 95º Distrito Policial (DP), de Heliópolis.

O primeiro protesto
Depois da morte da garota, os moradores das imediações organizaram um protesto. Eles fizeram barricadas com madeira e pneus incendiados e iniciaram um tumulto. Aos gritos de "assassinos", os manifestantes jogaram pedras contra o carro do casal e contra os policiais civis e militares que estavam no local. A Guarda Civil Metropolitana já não estava mais lá. Agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), auxiliados por policiais militares, usaram bombas de efeito moral e tiros de borracha para dispersar os manifestantes.

Indignação
O garçom Iraildo Carlos da Silva, de 32 anos, se mostrou indignado com a morte da garota. "Nós, os moradores aqui, só queremos justiça." A jovem foi baleada na porta da casa dele. Silva disse ter ficado assustado com o barulho de tiros e, quando saiu, viu a garota já caída na rua. "Estava uma barulheira, acho que ela se assustou e se escondeu atrás de um carro, e eles confundiram ela com o suspeito", avaliou. Segundo ele, a garota voltava da escola e tinha um caderno nas mãos.

Conforme os moradores, houve demora no socorro da vítima. Na versão deles, os GCMs apenas socorreram a estudante depois da ordem de um policial militar, que chegou ao local. Os guardas teriam pegado a jovem pelos braços e pernas e jogado dentro da viatura. A GCM afirma que a garota chegou com vida ao hospital e nega os maus-tratos durante o socorro. Os manifestantes ainda afirmaram que o homem em fuga não estava armado. Durante o protesto, a vizinhança afirmou que os GCMs já atiravam desde o momento em que entraram na rua.

*Com informações da Agência Estado e do canal BandNews

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