Moradores de cidade maranhense invadem e queimam fazenda para reivindicar moradias

Alex Rodrigues
Da Agência Brasil

Um grupo de moradores de Pio XII (MA) ocupa desde o último sábado (5) uma fazenda de 71 hectares, localizada no município, a cerca de 270 quilômetros da capital São Luís. Segundo a Polícia Militar, o grupo reivindica que a área seja desapropriada e dê espaço a projetos habitacionais, mas um dos policiais que acompanha o caso garante que conhece os invasores e que todos têm casas próprias, ainda que humildes.

Um dos filhos do dono da Fazenda São Cristóvão, o professor José Ribamar Jorge Andrade, afirma que o grupo é composto por moradores dos bairros Vila Monteiro e Vila Santana, antigas ocupações hoje regularizadas, vizinhas à propriedade. Segundo Ribamar, o grupo não teria ligações com nenhum grupo ou movimento social.

"Eles invadiram dizendo que é para fazer casa, mas todos eles têm onde morar", diz Ribamar, que, assim como seu pai, Cristino de Arruda Andrade, já ocupou uma vaga de vereador na Câmara Municipal.

De acordo com o professor, o grupo chegou à propriedade por volta das 9h30 de sábado e encontrou seus pais sozinhos. Cristino Andrade tem 84 anos. Sua esposa, Belisa Jorge Andrade, 77. A ação não foi coibida porque dos cinco policiais militares responsáveis por fazer o policiamento ostensivo, três estavam de folga ou de licença. Os dois soldados de plantão, por sua vez, não tinham à disposição nenhuma viatura, tendo que usar uma moto particular. Na cidade também não há policiais civis.

"Eles derrubaram a cerca e queimaram todo o pasto", conta Ribamar, que não se conforma com a invasão. "Meu pai tem a posse e trabalha nesta área há 35 anos. Há 19 anos, ele mora neste mesmo local. Ele é muito conhecido e nunca se recusou a negociar com quem quer que fosse, embora ache que tem que ser recompensado se quiserem um pedaço da terra que, legalmente, lhe pertence", diz o professor, explicando que as primeiras desavenças surgiram por conta de cinco hectares da propriedade que, originalmente, pertenciam ao município.

Segundo Ribamar, o prejuízo já chega a R$ 120 mil. Além de queimarem os 66 hectares reservados à pastagem de cerca de 100 vacas leiteiras, cujo terreno ficou "imprestável e terá que ser recuperado", o grupo derrubou cercas e benfeitorias.

"Meu pai produzia todo dia 120 litros de leite. Mesmo voltando à normalidade amanhã, só no final do ano ele poderia voltar a contar com isso", diz o professor, alegando que, na medida do possível, seus pais estão procurando se manter tranquilos e que as mais de 100 pessoas que permanecem no local não os impedem de circular. "Neste momento, não há ameaça a integridade física dos meus pais".

Um policial ouvido por telefone pela Agência Brasil, que pediu para não ser identificado, contou ter conversado com alguns dos invasores, pedindo-lhes que deixassem a área. "Eles disseram sentir muito, mas que iriam permanecer no local e que não haveria polícia que os tirasse de lá. Eles dizem que não têm casa, mas isso não é verdade, pois conheço muitas dessas pessoas e sei que elas têm onde morar. Um cachaceiro já colocou plaquinha de vende-se em três lotes, [oferecendo] cada um deles por cinco reais".

Segundo o policial, a Secretaria Estadual de Segurança Pública já tem conhecimento sobre a situação. Além disso, o quartel da Polícia Militar do município vizinnho de Pindaré Mirim deve mandar reforço nos próximos dias. Os donos da São Cristóvão, por sua vez, já contrataram um advogado e pretendem apresentar um pedido de reintegração de posse à Justiça se possível amanhã (9).

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