"Ordem é partir para cima", diz secretário sobre onda de violência em Salvador

Especial para o UOL Notícias Em Salvador

Atualizada às 16h17

Mais um ônibus foi incendiado na manhã desta terça-feira (8) na periferia de Salvador. Os ataques começaram na segunda-feira (7). No total, seis veículos já foram destruídos na cidade.

Em entrevista coletiva na sede do comando da Polícia Civil, no centro de Salvador, nesta manhã, o secretário de Segurança Pública do governo da Bahia, César Nunes, disse que a determinação é "partir para cima" e enfrentar a onda de violência.

O secretário diz não ter dúvidas de que as ações ocorreram em represália à transferência do traficante Cláudio Eduardo Campanha da Silva, 38, do Complexo Penitenciário de Mata Escura para um presídio de segurança máxima no Mato Grosso do Sul, na semana passada.

  • Mapa destaca as regiões que foram atingidas nas últimas 48 horas em Salvador, na Bahia

Campanha é considerado um dos assassinos mais perigosos do Estado. Ele substituiu, no comando de uma facção criminosa, o também traficante Ebérson Santos Silva, o Pitty, morto pela polícia em 2007. Ele foi preso em um sítio de luxo no Ceará em 30 de novembro de 2008.

César Nunes disse que a população pode ficar tranquila porque a segurança na cidade foi reforçada. Ele informou também que o serviço de inteligência da polícia está investigando a possível participação, nos casos de vandalismo, de outros comparsas de Campanha que estão presos. "Se essas suspeitas se confirmarem, eles também serão transferidos para outros Estados", disse o secretário.

Há informações de policiais, que pediram para não serem identificados, de que a cúpula da secretaria de Segurança já sabia que as ações ocorreriam, por meio de uma ligação interceptada, logo após a transferência de Cláudio Campanha.

Entretanto, a secretaria não adotou as medidas necessárias para coibir o vandalismo. Na ligação, Campanha dava ordem aos seus comparsas para que retaliassem. O secretário César Nunes confirmou que já tinha a informação.

"Desde sábado tínhamos a informação de que uma ação desse tipo poderia acontecer. Agora, estamos partindo para as diligências. Já havíamos reforçado o policiamento", afirmou Nunes.

Ele acrescentou: "Era previsível. Mas, como ocorreu em São Paulo e no Rio de Janeiro, aconteceu aqui também. O que não pode é ficarmos reféns de bandidos e isso não vai acontecer. A transferência de Campanha ocorreu justamente para desarticular a facção criminosa. Na Bahia, a maioria dos grandes líderes do crime está presa", destacou.

O secretário disse ainda que três suspeitos foram presos, sendo um em flagrante, ao tentar colocar fogo num módulo policial, no bairro de Cajazeiras, usando coquetel molotov. Outros três teriam morrido em confrontos com a polícia. Três policiais ficaram feridos, mas não correm risco de morte.

O secretário disse também que 12 tropas da PM do interior reforçam o policiamento em Salvador. "Além disso, estamos monitorando permanentemente 24 eixos da cidade, que não podemos revelar por questão estratégica", declarou Nunes, acrescentando: "Não estamos com timidez, não. A segurança não está sem comando, tem comando, e a polícia vai partir para cima. Essa é a determinação", enfatizou.

O caso mais recente de ataque foi a um ônibus da empresa Ondina, por volta das 6h30 de hoje, na entrada do bairro, na rua Benedito Jenkis. Apenas o motorista e o cobrador, que iniciavam os trabalhos, seguiam no veículo para o final de linha do bairro de Águas Claras. Segundo relato de ambos à polícia, dois carros interceptaram o ônibus e homens encapuzados exigiram que os rodoviários deixassem o veículo. Após derramarem gasolina no ônibus, eles atearam fogo. Antes disso, o motorista e o cobrador desceram do ônibus e, assim, não se feriram.

As áreas atingidas no domingo estão no Subúrbio Ferroviário e incluem os bairros de Alto de Coutos, Alto do Cabrito e Fazenda Coutos. Os ataques aos módulos policiais ocorreram nos bairros da Ribeira e Uruguai, além das Estações de Pirajá e Mussurunga. Desde a tarde da segunda-feira os módulos policiais da cidade foram fechados por orientação do Comando Geral da PM, que determinou prioridade para o policiamento ostensivo nas ruas. Em vários locais da cidade os policiais circulam em grupos, com viaturas de plantão.

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