Delegado nega que traficantes tenham ordenado protestos em Heliópolis

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Moradores revoltados

  • Joel Silva/Folha Imagem

O delegado do 95º DP (Cohab Heliópolis), Gilmar Pasquini Contrera, afirmou que a polícia não tem qualquer informação de que o protesto realizado no dia 1º por moradores da favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, foi ordenado por traficantes da comunidade.

A manifestação foi realizada após a morte de Ana Cristina de Macedo, 17, atingida por uma bala perdida no dia 31 de agosto, disparada por um guarda civil metropolitano de São Caetano (SP) durante uma perseguição a supostos criminosos que haviam praticado um roubo.

Durante o protesto, ao menos dois veículos e três ônibus foram queimados. Agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), auxiliados por policiais militares e pela Tropa de Choque, foram enviados ao local para tentar conter a manifestação e entraram em confronto com os moradores, lançando bombas e atirando balas de borracha contra a população.

A PM afirmou que traficantes estariam por trás dos protestos, informação que o delegado contradiz. "Não temos qualquer informação de que o protesto tenha sido ordenado por traficantes. A manifestação dos moradores foi para protestar contra o uso indiscriminado de armas de fogo na comunidade", disse nesta quinta-feira (10).

Veja imagens do protesto


O delegado recebeu hoje o laudo de Instituto de Criminalística (IC) comprovando que o guarda metropolitano Vicente Pereira Passos, 45, foi o autor do disparo que causou a morte da jovem. Ele será intimado a comparecer à delegacia amanhã para ser indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar), mas responderá em liberdade. No momento do disparo, Passos estava fora de sua jurisdição.

Segundo João Miranda, vice-presidente da Unas (União de Núcleos, Associações e Sociedades dos Moradores de Heliópolis e São João Clímaco), o protesto foi organizado por moradores revoltados com a morte da jovem. "Na favela, 99% é trabalhador e 1% mexe com droga. A manifestação foi conduzida pelos moradores de Heliópolis. Nós repudiamos a destruição de ônibus porque prejudica o trabalhador, mas o protesto foi legítimo", afirma.

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