Bolivianos que obrigavam compatriotas a trabalhar 16 h por dia são presos em SP

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Após receber uma denúncia anônima, a Polícia Civil de São Paulo prendeu em flagrante dois bolivianos que submetiam onze compatriotas a condições análogas à escravidão em uma tecelagem. A prisão ocorreu em uma residência no bairro da Casa Verde, na zona norte de capital, na manhã desta sexta-feira (11), segundo a delegada Maria Helena Tomita.

Fred Angel Condori Ticone, 32, conhecido como Dom Condori, foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Pinheiros. Já Hilda Mollo Laura, 35, sua mulher, foi conduzida ao 97º DP. Ambos estão há alguns anos em São Paulo e foram naturalizados brasileiros, diferentemente dos compatriotas "escravizados", que estão irregulares e recém chegaram ao Brasil, provenientes de várias cidades bolivianas, entre elas La Paz e Cochabamba.

Entre os explorados havia mulheres e quatro crianças que possuem entre 2 e 12 anos. Eles eram obrigados a trabalhar das 6h às 23h - com dois intervalos de 30 minutos para refeições- e recebiam de R$ 0,60 a R$ 1,50 por peça confeccionada. "As peças costuradas eram revendidas para confecções chinesas, coreanos e até nacionais", diz Tomita.

Segundo a delegada, casos como esses são comuns em São Paulo, mas é raro a escravidão se dar entre pessoas de um mesmo país. "Normalmente os bolivianos são explorados por imigrantes orientais ou por brasileiros, mas não é comum bolivianos explorarem seus compatriotas", diz.

Contudo, ela afirma que não é possível ainda afirmar a existência de uma rede articulada de exploração de imigrantes. "Tudo leva a crer que existe uma máfia, mas não temos provas materiais. Ainda estamos investigando como os bolivianos chegam ao Brasil para serem explorados."

Brasil aparece com 13 setores da economia em lista de trabalho infantil e forçado do governo dos EUA

O Brasil aparece com 13 setores da economia em que há trabalho forçado e/ou infantil em um relatório do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgado na quinta-feira (10). O documento lista 122 produtos de 58 países cuja produção é realizada por meio de trabalho infantil, trabalho forçado ou ambos. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro disse que "não reconhece a legitimidade" do relatório.


As vítimas receberão apoio de assistentes sociais, do Ministério do Trabalho, do consulado boliviano em São Paulo e de ONGs. Para a delegada, as vítimas desses crimes não têm plena consciência de sua condição e tem medo de denunciar os exploradores. "Eles tem muito temor em serem deportados. São pessoas humildes, sofridas, que enfrentam uma série de dificuldades no Brasil e não conhecem bem a nossa cultura".

Nesta quinta-feira (10), policiais do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) prenderam dois bolivianos acusados de escravizar nove compatriotas em uma oficina de costura clandestina no bairro da Mooca, no centro da cidade.

Diante dos flagrantes, a delegada disse que a polícia pretende se articular com sindicatos, ONGs e Ministério Público com objetivo de traçar estratégias eficazes no combate à exploração de imigrantes.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos