Criminosos destroem mais dois ônibus em Salvador; total chega a 16

Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Depois de um dia de aparente calma, Salvador amanheceu nesta sexta-feira (11) sob o impacto de mais dois ônibus incendiados. Um dos ônibus, da empresa Rio Vermelho, foi incendiado no final da noite de quinta feira (10), no Bairo Pero Vaz. O outro ônibus pertencia à empresa Central e foi atacado hoje de manhã, no bairro de Águas Claras.

Onda de violência em Salvador, na Bahia

  • Arestides Baptista/Agência A Tarde

    Bombeiro joga água em ônibus da empresa Central incendiado em Salvador, na Bahia, na manhã desta sexta-feira (11), no bairro de Águas Claras. A cidade amanheceu sob o impacto de mais dois ônibus incendiados. Um deles, da empresa Rio Vermelho, foi queimado no final da noite de quinta feira (10), no Bairro Pero Vaz

Conforme números apresentados pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador (SETEPS), já são 16 veículos atingidos. Cinco deles estão parcialmente destruídos.

Segundo a polícia, o tipo de ação é sempre o mesmo: homens armados, que mandam passageiros e motoristas descerem, jogam produto inflamável no veículo e ateiam fogo. Em seguida, fogem. Foi assim também nesses dois últimos casos. Nesta manhã, populares chegaram a anotar a placa do carro usado na fuga dos criminosos, que estão sendo procurados pela polícia.

Na noite de quinta, dois homens chegaram a pé, um deles, segundo testemunhas, parecia ser menor de idade. Os criminosos aproveitaram o momento em que o motorista parou na Rua Doutor Eduardo Santos para mandar que ele e os dois passageiros que viajavam no coletivo descessem para, então, atear fogo no ônibus.

Algumas casas próximas ao local tiveram pequenos estragos, como disjuntor queimado e paredes danificadas. A rua também ficou sem energia elétrica.

Serra comenta ataques e manifesta apoio a Wagner

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), comentou nesta sexta-feira os ataques ocorridos em Salvador desde o início da semana em sua página no Twiter (site de mensagens curtas), e manifestou apoio ao governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). Serra classificou os ataques como "graves", e completou "todo apoio ao governador Jaques Wagner, que enfrenta há dias essa onda de ataques". A cidade de Salvador sofreu novos ataques entre a noite de ontem (10) e manhã desta sexta-feira. Dois outros ônibus foram incendiados. Não há informações de vítimas.

A ação dos bandidos contra os coletivos e módulos policiais começou na última segunda-feira (7) em represália, segundo a Secretaria de Serviços Públicos da Bahia, à transferência do traficante Cláudio Campanha para um presídio de segurança máxima em Mato Grosso do Sul.

Na quinta-feira, outros 14 detentos, que teriam ligação com os ataques e integrariam a facção criminosa comandada por Cláudio Campanha, chamada Comando da Paz, também foram transferidos, mas para o presídio de segurança máxima de Catanduva (PR).

O diretor do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Ubirajara Sales, disse que motoristas e cobradores estão trabalhando sob medo permanente, sem saber quem será o próximo, sobretudo aqueles que atuam nas linhas que atendem à periferia da cidade.

Ele observa que a atividade por si só já é estressante porque requer muita atenção. "Com medo, a situação se complica", observa.

"Alvos não são as pessoas"
"O que nos deixa mais tranquilos é saber que os alvos não são as pessoas, mas o patrimônio. Por isso, seguimos com o trabalho, pedindo a Deus e acreditando nas autoridades", diz Ubirajara, que não descarta a possibilidade de paralisação dos rodoviários, caso se chegue a uma situação extrema, como pessoas atingidas fisicamente.

Presos são transferidos para o Paraná

"Não podemos permitir que os companheiros e usuários corram risco, mas também não vamos entrar no jogo deles, não podemos nos tornar reféns de bandidos. É isso que eles querem. Inclusive, porque não sabemos o que está por trás disso, se marginais ou se existe algo mais", desconfia o sindicalista.

A direção do sindicato ainda não tem o valor total dos prejuízos. Um veículo novo custa entre R$ 200 e R$ 220 mil. Os empresários explicam que não tem como paralisar as atividades por se tratar de uma concessão pública.

Até mesmo uma alteração nos horários de circulação dependeria de uma iniciativa da prefeitura, que não se manifestou nesse sentido.

A Secretaria de Transporte da Bahia informa que as rondas ostensivas estão mantidas e todo o efetivo empenhado no combate à criminalidade e na retomada da tranqüilidade.



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