Dezenove são presos após ataques em Salvador; 16 ônibus são destruídos

Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Desde o início dos ataques a ônibus e bases policiais em Salvador, a polícia prendeu ao todo 19 pessoas. Todos são suspeitos de atacar 16 ônibus e nove módulos policiais na capital baiana desde segunda-feira (7).

Onda de violência em Salvador, na Bahia

  • Arestides Baptista/Agência A Tarde

    Bombeiro joga água em ônibus da empresa Central incendiado em Salvador, na Bahia, na manhã desta sexta-feira (11), no bairro de Águas Claras. A cidade amanheceu sob o impacto de mais dois ônibus incendiados. Um deles, da empresa Rio Vermelho, foi queimado no final da noite de quinta feira (10), no Bairro Pero Vaz

Esse balanço foi apresentado nesta sexta-feira (11) pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia. Segundo o secretário César Nunes, todos os 19 acusados possuem ligação com o tráfico de drogas. Desses, 14 foram transferidos para o presídio de Catanduva (PR).

Segundo Nunes, os presos integram o grupo do traficante Cláudio Campanha, transferido no início do mês para um presídio federal, no Mato Grosso do Sul.

"As prisões vão desestruturar a quadrilha de Campanha. Afinal, prendemos e transferimos os principais integrantes do grupo", afirmou o secretário Nunes.

A ação dos criminosos contra os coletivos e módulos policiais começou na última segunda-feira (7) em represália, segundo a Secretaria de Serviços Públicos da Bahia, à transferência do traficante Cláudio Campanha para um presídio de segurança máxima em Mato Grosso do Sul.

A polícia apreendeu 17 armas, drogas e coquetel molotov - utilizado para incendiar ônibus e módulos policiais.

Presos são transferidos para o Paraná

O secretário informou ainda ter recebido informação de que novos ataques em delegacias poderiam acontecer e, por isso, já avisou a todas as unidades e reforçou a equipe e o armamento. Policiais que pedem para não se identificar dizem que o clima é tenso nas unidades policiais.

Para o fim de semana, o secretário anunciou que os policiais que ficavam em módulos realizarão patrulhamento ostensivo em 24 eixos de Salvador, com a colaboração de 12 bases do interior.

Motoristas com medo
O diretor do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Ubirajara Sales, disse que motoristas e cobradores estão trabalhando sob medo permanente, sem saber quem será o próximo, sobretudo aqueles que atuam nas linhas que atendem à periferia da cidade.

Ele observa que a atividade por si só já é estressante porque requer muita atenção. "Com medo, a situação se complica", observa.

"O que nos deixa mais tranquilos é saber que os alvos não são as pessoas, mas o patrimônio. Por isso, seguimos com o trabalho, pedindo a Deus e acreditando nas autoridades", diz Ubirajara, que não descarta a possibilidade de paralisação dos rodoviários, caso se chegue a uma situação extrema, como pessoas atingidas fisicamente.

"Não podemos permitir que os companheiros e usuários corram risco, mas também não vamos entrar no jogo deles, não podemos nos tornar reféns de bandidos. É isso que eles querem. Inclusive, porque não sabemos o que está por trás disso, se marginais ou se existe algo mais", desconfia o sindicalista.

A direção do sindicato ainda não tem o valor total dos prejuízos. Um veículo novo custa entre R$ 200 e R$ 220 mil. Os empresários explicam que não tem como paralisar as atividades por se tratar de uma concessão pública.

Até mesmo uma alteração nos horários de circulação dependeria de uma iniciativa da prefeitura, que não se manifestou nesse sentido.

A Secretaria de Transporte da Bahia informa que as rondas ostensivas estão mantidas e todo o efetivo empenhado no combate à criminalidade e na retomada da tranqüilidade.

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