Diretor e outras quatro pessoas são responsabilizadas por mortes de animais em zoo de Goiânia

Sebastião Montalvão
Especial para o UOL Notícias
Em Goiânia

A Polícia Civil de Goiás responsabilizou o diretor do Zoológico de Goiânia, Raphael Cupertino, e outras quatro pessoas pela morte de pelo menos 16 animais do complexo neste ano. Este é o resultado do inquérito instaurado pela Delegacia Estadual do Meio Ambiente (Dema), que apurou a causa de 23 das 70 mortes ocorridas no local desde janeiro último. O zoológico foi interditado no último dia 20 de julho e continua fechado, sem data prevista para reabertura.
  • Ricardo Rafael/O Popular/AE

    Imagem de 25 de agosto mostra uma girafa que foi encontrada morta no zoológico de Goiânia


O diretor do zoológico se defendeu durante entrevista coletiva à imprensa. Segundo ele, não houve negligência em nenhum dos casos. "Todos os animais apresentavam problemas de saúde e, por isso, foram anestesiados. Se não tivéssemos tomado as medidas necessárias, aí sim seria negligência", argumentou. O inquérito já foi remetido ao Judiciário.

O relatório da polícia concluiu que houve negligência na morte de seis mamíferos (um leão, uma onça, um tamanduá, uma queixada e um hipopótamo). "Ficou claro que as mortes só ocorreram depois que esses animais foram anestesiados. Depois que houve interferência humana", ressaltou o delegado Luziano Carvalho, titular da Dema. O processo anestésico também é apontado como causa da morte de um bisão fêmea, mas o laudo ainda não foi concluído.

À exceção do bisão, todos esses animais foram anestesiados durante estudo em curso de pós-graduação em Medicina de Animais Selvagens e Exóticos, realizado em Goiânia no início do ano. Além do diretor, também foram responsabilizados os veterinários e funcionários do parque José Carlos Fávaro Júnior e Alcides Mendes de Sousa Júnior, além do professor José Ricardo Pachaly, da Universidade Paranaense (Unipar), que ministrou o curso de pós-graduação utilizando os animais. "Eles assumiram o risco com a realização desses procedimentos, e os animais acabaram morrendo. Mostra claramente que a aula não foi bem sucedida", concluiu o delegado.

Cupertino e outros dois funcionários do zoológico também foram responsabilizados pela morte de 10 quelônios (nove tracajás e uma tartaruga da Amazônia), ocorridas em 21 de agosto. Na ocasião, a diretora do Departamento Técnico Operacional do Parque, Rita Figueiredo Passeto, teria determinado o esvaziamento do tanque onde os animais viviam, deixando-os vulneráveis a ataques de predadores. A maioria teve a cabeça decepada possivelmente por mamíferos que vivem no bosque anexo ao zoológico. Além dos dois, o funcionário Bruno de Oliveira também foi responsabilizado no inquérito.

Todas as pessoas citadas pelas mortes, porém, não serão indiciadas. De acordo com Luziano Carvalho, a conclusão de culpa não pressupõe dolo (intenção). "As evidências são de que não houve vontade deliberada de matar os animais", disse o delegado. Com isso, a pena tipificada para esses casos prevê, no máximo, pagamento de indenização pelas mortes. Nos demais casos, o inquérito concluiu morte natural.

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