Ataques em Salvador alteram trajetos de ônibus, suspendem aula e causam prejuízo de R$ 3 mi a empresas

Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Os ataques contra ônibus e bases policiais de Salvador registrados nos últimos dias mudaram a rotina dos moradores da terceira maior cidade do Brasil.

Onda de violência em Salvador, na Bahia

  • Arestides Baptista/Agência A Tarde

    Ônibus destruído no bairro de Águas Claras

Desde a última segunda-feira, quando os primeiros ônibus foram incendiados e postos policiais foram metralhados, quem mora na capital baiana passou a conviver com o medo, estabelecimentos comerciais fechados, aulas suspensas em algumas escolas, ruas desertas a partir das 18 horas e alterações súbitas dos trajetos dos ônibus. Especialmente na periferia (veja mapa abaixo).

Os prejuízos às empresas de transporte coletivo são estimados em R$ 3 milhões.

"Tem alguns locais de Salvador que os ônibus não circulam mesmo quando tudo está aparentemente tranquilo. Agora, a situação é caótica e algumas empresas chegaram a contratar seguranças particulares para fazer determinados roteiros", afirmou Ubirajara Sales, diretor de comunicação do Sindicato dos Rodoviários da Bahia.

Funcionário de uma empresa que presta serviços de informática, Rômulo Albuquerque, 23, critica as mudanças nos itinerários dos ônibus. "Desde o começo da semana os ônibus não vão até o final de linha de Alto de Coutos, onde moro. Os motoristas param os veículos na entrada do bairro e somente prosseguem quando os seguranças vão junto."

Localizado na periferia de Salvador, o bairro de Alto de Coutos foi um dos mais visados. Lá, um ônibus foi incendiado (segunda-feira), um supermercado subsidiado pelo governo (terça) e um posto policial (no mesmo dia) também foram atacados.

Para tentar conter os ataques, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia determinou a transferência de 14 acusados de ligação com o tráfico para o presídio de Catanduva (PR), prendeu outros 19 suspeitos e matou dez. Considerado pela PM como o maior traficante da Bahia, Cláudio Campanha foi removido para uma penitenciária de Campo Grande (MS).

Os ataques aos postos policiais e ônibus começaram na última segunda-feira, logo após a transferência dele.

Reforço policial
Em outra frente, para tentar retomar o controle da situação, a Secretaria da Segurança Pública do Estado realocou para Salvador cerca de 500 policiais que trabalham no interior e em cidades da região metropolitana da capital baiana.

A polícia passou a utilizar com mais frequência helicópteros para mapear os bairros mais atingidos pelos ataques. "Nosso trabalho é de inteligência. Estamos desmantelando as quadrilhas que agem em Salvador porque seus líderes foram transferidos para outras unidades prisionais", disse o secretário da Segurança Pública, César Nunes.

A secretaria também determinou que os policiais que trabalham em bases - pequenos cômodos de concreto - espalhadas pela cidade deixassem os seus postos para reforçar o policiamento ostensivo.

"Dentro das bases, os policiais têm pouco poder de reação porque, geralmente, os postos são atacados por um grande número de marginais", explicou César Nunes.

A medida não agradou. "Agora, com os postos vazios, a sensação de insegurança é ainda maior", disse a babá Luciene Silva, 28.

"Acho que o governo errou na estratégia de combate à criminalidade. Os policiais tinham de permanecer em seus postos para não revelar fraqueza ou medo, e o governo deveria mandar mais reforço para as bases", afirmou a professora Lídia Almeida, 32.

Nos primeiros dias dos ataques, policiais armados de fuzis foram escalados para ficar a 50 metros dos postos - a decisão foi revogada depois de 24 horas porque a cúpula da secretaria temia um tiroteio entre os PMs e os supostos traficantes, colocando em risco a população.

A reportagem tentou falar com um piloto do helicóptero usado pela PM para identificar supostos criminosos, mas a secretaria não autorizou a entrevista.

Até o início da noite desta sexta-feira (11), 16 ônibus tinham sido atingidos pelos atos de vandalismo, de acordo com o Seteps (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador).

Seguro não cobre vandalismo
Do total, 12 foram totalmente destruídos e quatro sofreram danos parciais. O prejuízo foi absorvido pelas empresas porque o seguro contratado pelas operadoras é destinado exclusivamente à cobertura de acidentes com danos a terceiros e não se aplica aos ataques registrados em Salvador nos últimos dias.

De acordo com o sindicato, o custo de um veículo novo está estimado hoje entre R$ 200 mil e R$ 220 mil. No total, circulam pelas ruas e avenidas de Salvador 2.400 ônibus. Juntas, as empresas empregam 16 mil pessoas, entre motoristas, cobradores, mecânicos, seguranças e funcionários que trabalham nos escritórios.

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