Chuva dá trégua em Santa Catarina, mas alagamentos continuam

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

O sol voltou a aparecer em Santa Catarina nesta segunda-feira (14), mas no litoral sul e algumas áreas do Vale do Itajaí as condições de alagamentos e deslizamentos continuam, informa a Defesa Civil do Estado. Apesar do nível mais baixo das marés, ainda há represamento e retardamento no escoamento das águas no litoral.

Depois dos tornados

  • Valter Campanato/Agência Brasil

    Desabrigados reclamam por comida e ajuda após devastação na região oeste de Santa Catarina



O último balanço da Defesa Civil de Santa Catarina aponta que 12,8 mil pessoas e mais de 19,5 mil casas foram atingidas pelas chuvas, vendavais e enxurradas que a região Sul enfrenta desde a semana passada. Já são 173 feridos e cinco mortos - quatro em Guaraciaba, no Extremo-Oeste, e um em Praia Grande, no Sul.

Estão em situação de emergência 68 municípios, 65 deles beneficiados por um decreto estadual. Outras oito cidades foram afetadas, totalizando 77 municípios atingidos. Guaraciaba, por onde passou um tornado, é o único em estado de calamidade pública.

Outras 80 mil pessoas foram afetadas pela subida das águas na bacia do Vale do Araranguá, no sul do Estado.

Previsão de chuva
De acordo com os meteorologistas da Somar, novas áreas de instabilidade formam-se entre a Argentina, Paraguai e a Região Sul nesta terça-feira e até o final do dia voltam a provocar pancadas de chuva com trovoadas no centro e noroeste do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e centro e oeste do Paraná.

"Há risco de temporais em algumas localidades, especialmente do Estado do Paraná" afirma o meteorologista Celso Oliveira.

Já no leste da região, o sol predomina ao longo da terça-feira. O dia começa com mínima entre 12°C e 14°C em boa parte dos três Estados e a máxima não passa dos 22°C no leste de Santa Catarina e do Paraná e no sul do Rio Grande do Sul.

Números da tragédia em SC

  • 1.897

    desabrigados

    (pessoas que deixaram suas
    casas e ir para abrigos públicos)

  • 10.440

    desalojados

    (pessoas que deixaram suas casas e se abrigaram com familiares)

  • 291

    deslocados

  • 173

    feridos

  • cinco

    mortes

Fonte: Defesa Civil de Santa Catarina


Na quarta-feira, as áreas de instabilidade ganham força e se espalham pela região Sul. Apenas o litoral permanecerá com tempo seco e ensolarado. Segundo os meteorologistas da Somar, há risco de temporais, especialmente ao longo da fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, onde o acumulado pode passar dos 60mm em 24 horas em algumas localidades.

Na quinta-feira, as chuvas atingem boa parte da região, sendo que elas serão mais intensas no centro e leste do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Na sexta-feira, a formação de uma nova frente fria provoca chuvas fortes e generalizadas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sudoeste do Paraná. Há risco de temporal, descarga elétrica, queda de granizo e vento moderado a forte, com rajadas inensas.

Plano de socorro
O governo de Santa Catarina começa hoje a delinear o plano de socorro às vítimas dos temporais de semana passada. Enquanto aguarda a liberação de R$ 26 milhões dos cofres da União, a Defesa Civil estadual trabalha com R$ 2,5 milhões disponíveis em seu fundo de prevenção. Os reparos em quase 20 mil imóveis danificados devem ser iniciados ainda nesta semana.

O governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e o coordenador da Defesa Civil, major Márcio Luiz Alves, devem se reunir nesta segunda-feira com prefeitos de municípios das regiões Oeste, Meio Oeste e Norte do Estado. A ideia é ouvi-los para identificar quais áreas precisam de mais recursos.

Os encontros vão servir para definir o cronograma e uma estratégia de ação, considerando os números de casas a reconstruir e as demandas de infraestrutura e logística de atendimento. "Vai depender do relato de cada prefeito. Porém, vamos dar prioridade a quem é de baixa renda", explica o major.

Do total requisitado, R$ 20 milhões são para a aquisição de materiais de construção, R$ 4,5 milhões para a contratação de empresas para retirada de entulhos e desobstrução de vias e mais R$ 1,5 milhão para compra de bens de consumo, como alimentos.

Por ora, o governo estadual conta com R$ 2,5 milhões de seu próprio fundo de prevenção. Até agora, a Defesa Civil utilizou R$ 1,05 milhão para o atendimento emergencial, com a compra 10 mil metros quadrados de lona, velas, água potável e caixas d'água. Sobrou R$ 1,45 milhão para a recuperação das casas que perderam telhados, a partir desta semana. "Cerca de 20 mil imóveis perderam a cobertura", aponta Alves.

Em relação à liberação dos recursos da União, o coordenador da Defesa Civil garante que basta um telefonema de representantes do Ministério da Integração Nacional para o governo estadual começar a empregar a verba, mesmo sem tê-la recebido - o recurso deve levar entre dois e três dias para cair na conta, depois do aval do ministério.

Cidades atingidas por vendavais e tempestades em Santa Catarina


* colaborou Luiz Nunes, em Florianópolis

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