Quase 70% das mulheres que sofrem violência doméstica em SP são agredidas pelo parceiro, diz pesquisa

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

As mulheres são as principais vítimas de violência doméstica em São Paulo. Segundo levantamento da secretaria de Saúde do Estado divulgado nesta segunda-feira (14), elas representam 75% dos agredidos. Em 67,8% dos casos, as mulheres são agredidas pelo próprio parceiro (marido, companheiro ou namorado). E em 70,8%, dentro de casa.

Além disso, em quase 13% dos casos de violência registrados pela Secretaria, o agressor é uma pessoa conhecida da vítima, que não o parceiro.

Em apenas 18,2% dos casos totais de violência, a agressão aconteceu na rua e em 19,3% foi cometida por desconhecidos. Os demais relatos de violência tiveram como local os bares, escolas e estabelecimentos comerciais.

A principal forma de violência relatada é a agressão física (59%), seguida pela violência psicológica (18%), pela auto-infligida (13%) e pela sexual (5%).

"A verdade é que há uma cultura de que a mulher é propriedade do homem. Isso não é só no Brasil. Os homens extravasam todo os problemas na companheira, que é fisicamente mais frágil, e isso é aceitável", descreve Vilma Pinheiro, responsável pela Divisão de Acidentes e Violências da Secretaria.

Segundo ela, outra consequência dessa cultura de desvalorização da mulher é percebida entre as próprias mulheres, que sentem vergonha de procurar ajuda.

Relembre

O ex-velocista Robson Caetano, de 45 anos, foi detido na semana passada por suposta agressão contra a mulher. Ele foi levado para a 16ª DP, na Barra (RJ), e enquadrado na Lei Maria da Penha, que pune a violência doméstica com prisão em flagrante e outros mecanismos, como a proibição do agressor de chegar perto da vítima.



"Para nós, o aumento nos casos de violência é na verdade uma vitória, porque significa que mais mulheres estão procurando ajuda nos serviços de saúde e mais mulheres estão recebendo tratamento", explica a médica.

A maior procurar por atendimento especializado também pode representar, na opinião da coordenadora, um começo de mudança cultural. "Senão, as mulheres ainda estariam escondidas", diz.

A pesquisa se baseou em 1.286 casos de violência registrados nos serviços públicos de saúde do Estado entre janeiro e maio deste ano. As vítimas tinham entre 20 e 39 anos.

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