Travestis acusam "gangue de homofóbicos" de agressões em Teresina

Yala Sena
Especial para o UOL Notícias
Em Teresina

Quatro travestis afirmaram nesta segunda-feira (14), em denúncia à Delegacia de Direitos Humanos e Repressão às Condutas Discriminatórias em Teresina, que foram agredidos por uma suposta "gangue de homofóbicos" que estaria atuando na capital do Piauí.
  • Yala Sena/Especial para o UOL

    "Eles pararam o carro e outro me segurou e, com o carro aberto, me arrastaram por um quarteirão. Isso provocou o rompimento da minha prótese no seio, fraturei a minha face e tive ferimentos na perna e braços", afirma Décio de Sousa

  • Yala Sena/Especial para o UOL

    Segundo Sousa, os agressores seriam "filhos de classe média" e estariam agredindo os travestis como forma de "diversão"


De acordo com a denúncia, os travestis teriam sido agredidos com tacos de beisebol, barra de ferro e pedras. Um deles afirmou ainda que foi arrastado por um carro cerca de um quarteirão, no último dia 22 de agosto, na rua Góias, tradicional ponto de prostituição gay da cidade.

"Eles pararam o carro e outro me segurou e, com o carro aberto, me arrastaram por um quarteirão. Isso provocou o rompimento da minha prótese no seio, fraturei a minha face e tive ferimentos na perna e braços", afirma Décio de Sousa, 38.

Segundo Sousa, os agressores seriam "filhos de classe média" e estariam agredindo os travestis como forma de diversão após a balada. "É uma nova versão dos grupos homofóbicos dos skinheads que estão atuando na rua Góias, Frei Serafim e Centro de Teresina", diz Sousa.

Dois estudantes foram detidos pela polícia e prestaram depoimento na delegacia. Jonas Victor Corado e Rômulo Bezerra Caminho Veloso negaram a agressão.

No último sábado, Natasha, 22, que não quis se identificar, disse que foi agredida com chutes e socos. "Eles usam vários carros e chegam de surpresa e vão logo com violência", afirmou. Os acusados foram fotografados e chegaram a ser fichados, mas foram liberados em seguida.

A delegada Kátia Esteves afirma que foi aberta uma investigação para apurar o caso e os supostos agressores serão ouvidos. "Está se tornando comum este tipo de agressão em Teresina", disse a delegada. O caso está sendo acompanhado pela Defensoria Pública.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos