Com greve nos Correios, empresas devem disponibilizar outras formas de pagamento de contas

Guilherme Balza e Fabiana Uchinaka*
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizado às 21h42
  • Diego Redel/RBS

    Funcionários dos Correios cruzam os braços durante greve em frente ao Centro Operacional Administrativo, em Florianópolis


Os funcionários dos Correios entraram em greve, por tempo indeterminado, desde a 0h desta quarta-feira (16). Para evitar transtornos, a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) orienta as empresas a disponibilizarem outros canais para que as contas que chegam por intermédio dos Correios sejam pagas, além de informar os clientes sobre a medida.

Segundo o Procon, os consumidores também têm a responsabilidade de procurar a empresa e descobrir meios de pagar as contas. "Não é porque a conta não chegou que o cliente não tem que pagar, mas as empresas têm que disponibilizar novos meios e avisá-los", afirma Fátima Lemos, assistente de direção do Procon.

Caso o cliente não receba a correspondência e não haja tempo hábil para efetuar o pagamento de outro modo, a empresa não deve cobrar multa e juros, de acordo com Lemos. "O mais certo é pagar uma segunda via sem multa e juros."

Proposta e adesão à greve
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) apresentou em reunião nesta quarta uma proposta à categoria. A Federação Nacional dos Trabalhadores em Correios (Fentect) submeterá nesta quinta-feira às assembleias nos Estados a proposta de reajuste salarial de 9%. Esse reajuste deverá valer para os próximos dois anos.

A ECT propôs também um acréscimo de R$ 100,00 ao piso salarial da categoria, que é de R$ 640,00. A empresa propõe pagar esse acréscimo a partir de janeiro de 2010.

Os Correios se dispõem, ainda, a aumentar o vale-alimentação de R$ 20,00 para R$ 21,50 neste ano e para R$ 23,00 no próximo ano, além de conceder um vale-alimentação extra nos meses de dezembro deste ano e do próximo.

O integrante do comando de negociação da Fentect, Marcelo Alves de Medeiros, disse que a proposta dos Correios ainda não foi aceita, porque depende da aprovação nas assembleias.

Os servidores pedem reajuste salarial de 41,03%, para recompor perdas desde 1994, e reajuste linear de R$ 300. Os Correios haviam proposto na última rodada de negociação um aumento de 4,5%, que foi rejeitado por todos os sindicatos regionais.

A pauta da Fentect também reivindica redução da jornada de trabalho sem redução de salário, fim da terceirização, auxílio creche e educação, contratação de mais servidores e reintegração dos servidores demitidos, participação nos lucros no acordo coletivo, entregas de correspondência no período da manhã e fim dos assédios morais e sexuais.

Até o momento, 33 dos 35 sindicatos regionais ligados à Fentect haviam aderido à paralisação. A empresa tem 116 mil trabalhadores em todo o país.

Os Correios afirmam que ainda não dá para prever o impacto da greve nas entregas e calcula que apenas 8% dos funcionários parou de trabalhar. A Fentect não confirma essa informação, mas diz que ainda não é possível calcular a adesão.

Expectativa
O diretor de Recursos Humanos da ECT, Pedro Magalhães, disse acreditar que as propostas serão aceitas pela categoria, e será encerrada a greve nacional. A proposta, segundo Magalhães, é a de que os funcionários voltem ao trabalho à zero hora de sexta-feira. A empresa se compromete a não descontar dos servidores os dias parados.

Segundo o diretor, a concessão dos benefícios propostos, se forem aceitos, terá um impacto de R$ 729 milhões na folha de pagamento da ECT, que é de R$ 5,5 bilhões. Magalhães disse que, se a greve acabar, serão retomados na sexta-feira os serviços de entrega de encomendas com hora marcada, suspensos hoje.

* Com informações da Agência Estado

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