Piauí pede carros-pipa para o governo federal contra seca em mais de um terço dos municípios

Yala Sena
Especial para o UOL Notícias
Em Teresina

Sem chuvas há quatro meses e com perdas agrícolas que chegam a 50%, a Defesa Civil do Piauí solicitou ao Ministério da Integração Nacional o envio imediato de carros-pipa para abastecer 76 cidades piauienses que enfrentam a seca - pouco mais de um terço dos municípios do Estado.

O Piauí, que tem 224 municípios, teve uma das piores enchentes até maio - com mais 70 mil atingidos. Agora, o governo corre contra o tempo para socorrer as famílias que estão sem água até para o consumo.

O secretário Estadual de Defesa Civil, Fernando Monteiro, afirmou que a medida é para antecipar o socorro às vítimas. Segundo ele, o Exército já autorizou operação de ajuda em 58 municípios dos 76 solicitados e começará a distribuir água a partir da próxima semana. Oficialmente, apenas 20 prefeitos decretaram situação de emergência.

"Pedimos que o prefeito decrete situação de emergência o mais rápido possível para não ser prejudicado no atendimento", recomendou o secretário. De acordo com o órgão, mais de 600 famílias sofrem com a escassez de água no Estado.

O coordenador de carros-pipas da Defesa Civil, Abílio Sousa Vieira, informou que as regiões mais afetadas são as do semi-árido que estão há quatro meses sem chuvas.

"Inicialmente encaminhamos a Brasília [pedido de ajuda para] 58 municípios que precisam de carros-pipas e ontem enviamos mais 18 [pedidos de ajuda para] cidades que estão com os reservatórios secos, sem água até nas cisternas e precisando urgentemente de abastecimento de água", disse Abílio Vieira, informando que a operação carros-pipas no Piauí será coordenada pelo Exército.

A Fetag (Federação dos Trabalhadores da Agricultura) discorda do número da Defesa Civil sobre os municípios em situação de emergência. Para a entidade, 110 cidades estão enfrentando a seca.

Segundo o secretário de Política Agrícola da Fetag, Manoel Simão Reinaldo Gomes, existem famílias que estão racionando água no interior do Estado. "Moradores estão caminhando de 3 km a 4 km para conseguir água para beber e racionando o consumo", disse Gomes.

Ele revela que os trabalhadores estão sendo obrigados a pagar de R$ 50 até R$ 100,00 por 9.000 litros de água para ratear na comunidade.

Para o meteorologista Mainar Medeiros, da Gerência de Hidrometeorologia da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar), a previsão é que somente a partir do dia 15 de outubro haverá chuva nas regiões de São Raimundo Nonato, São João, Uruçui, Bom Jesus e Corrente. Devido a um problema técnico, a Semar não estava divulgando os índices pluviométricos.

Água suja
A trabalhadora rural, Ozenália Teresa da Silva, da cidade de Queimada Nova, extremo sul do Estado, informou que 100% da população consome água de barreiros e açudes. "A situação ficará mais crítica a partir de agora porque as águas baixam com a falta de chuvas. É ruim porque a água fica barrenta, com mal gosto e salobra", disse a trabalhadora. Na cidade, mais de 1.500 pessoas moram na zona urbana.

Em Queimada Nova, o tonel de água com 200 litros custa em média de R$ 1,50 a R$ 2,00 e abastece um dia na casa de uma família.

Em Acauã (463 km de Teresina), os moradores estão consumindo água das cisternas. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Acauã, Pedro Cristino Paixão, disse que o armazenamento de água das chuvas é "uma benção" para as famílias. "Se não fosse às cisternas não sei o que seria de muitas famílias", disse Pedro Paixão.

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