Assembleias nos Estados decidem que greve dos Correios continua

Guilherme Balza*
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizado às 21h18

As assembleias realizadas nesta quinta-feira (17) por trabalhadores dos Correios decidiram manter a categoria em greve por tempo indeterminado. Dos 35 sindicatos filiados à Fenact (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), em 21 os funcionários decidiram manter a paralisação, de acordo com Emerson Vasconcelos da Silva, da comissão de negociação.
  • Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

    Funcionários dos Correios, reunidos em assembleia em frente o Ministério das Comunicações, em Brasília, rejeitam a contraproposta apresentada pela empresa e decidem manter a greve


Os trabalhadores dos sindicatos restantes decidirão entre hoje e amanhã se continuam em greve. Mesmo assim, o número mínimo de votos - 18 do total de sindicatos - já foi alcançado. Decidiram seguir paralisadas as regionais do Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Campinas (SP), Ceará, Espírito Santo, Goiás, Juiz de Fora (MG), Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Vale do Paraíba (SP).

Entre outras reivindicações, eles exigem reajuste salarial de 41,03%, aumento de R$ 300 no piso da categoria, além de redução da jornada de trabalho e contratação de mais servidores por concurso.

A estatal apresentou ontem aos trabalhadores sua contraproposta, oferecendo reajuste salarial de 9% em acordo bianual, reajuste linear de R$ 100, aumento no valor do vale-refeição de R$ 20 para R$ 21,50 por dia e no vale-cesta de R$ 110. Os Correios têm 116 mil trabalhadores em todo o país. "Também não queremos acordos válidos só por dois anos", diz Silva.

Segundo o sindicalista, quatro dos sete integrantes dos trabalhadores na comissão de negociação negaram a proposta e iriam redigir o informe indicando aos sindicatos regionais a continuação da greve. No entanto, os outros três membros, ligados ao PT e ao PCdoB, "atravessaram" e enviaram o comunicado pelo fim da greve, o que acabou "rachando" a comissão.

Correios podem ir a TST

Se for confirmada a continuação da greve pelos funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), esta deverá pedir ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) que decrete a abusividade da paralisação


Por volta de 65% dos profissionais da categoria aderiram à greve, de acordo com o sindicalista. A maioria dos trabalhadores paralisados são entregadores, motoristas, operadores de triagem, funcionários de agências, motoqueiros, entre outros.

Como evitar transtornos
Para evitar transtornos com a greve, a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) orienta as empresas a disponibilizarem outros canais para que as contas que chegam por intermédio dos Correios sejam pagas, além de informar os clientes sobre a medida.

Segundo o Procon, os consumidores também têm a responsabilidade de procurar a empresa e descobrir meios de pagar as contas. "Não é porque a conta não chegou que o cliente não tem que pagar, mas as empresas têm que disponibilizar novos meios e avisá-los", afirma Fátima Lemos, assistente de direção do Procon.

Caso o cliente não receba a correspondência e não haja tempo hábil para efetuar o pagamento de outro modo, a empresa não deve cobrar multa e juros, de acordo com Lemos. "O mais certo é pagar uma segunda via sem multa e juros."

* Com informações da Agência Estado

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