Crimes contra o patrimônio diminuem, mas homicídios crescem no RJ, diz pesquisa

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Estado do Rio de Janeiro revela que, entre maio e julho deste ano, os crimes contra o patrimônio (cometidos com o objetivo de subtração de algo material) sofreram queda, mas o número de homicídios dolosos aumentou, no comparativo com o mesmo período do ano passado.

Genro sobe morro após liberar R$ 100 mi para o Rio

O ministro da Justiça, Tarso Genro, subiu ontem o Morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul do Rio, depois de assinar um acordo com o prefeito, Eduardo Paes (PMDB), no Palácio da Cidade. O acordo define a liberação de R$ 100 milhões, que serão aplicados em ações como a instalação de 350 câmeras de vigilância


Nos três meses deste ano avaliados na pesquisa ocorreram 1.358 homicídios dolosos no Estado, contra 1.227 no ano passado, um aumento de 10,7%. Já entre os chamados crimes contra o patrimônio, todos sofreram reduções, com exceção aos roubos a transeuntes e de aparelhos celulares.

"Esses dados são muito preocupantes porque o mais importante é a vida. E esses números são subestimados. Há muitos cemitérios clandestinos e pessoas desaparecidas no Rio de Janeiro", afirma Luiz Eduardo Soares, ex-secretário estadual de Segurança Pública no governo de Anthony Garotinho e ex-secretário nacional de Segurança Pública em 2003.

Neste ano, no período analisado, foram 6.290 roubos de carros, contra 6.558 no ano passado - redução de 4,1%. Os furtos de carros, ou seja, quando a vítima não é abordada no momento do delito, diminuíram 5,7% (4.976 casos em 2009 e 5.274 no ano passado), segundo a pesquisa.

Os latrocínios (roubo seguido de morte), também considerados crime contra o patrimônio, reduziram 30,6% no Estado. Nesse ano, foram 43 vítimas desse tipo de delito, 16 a mais do que em 2008, de acordo com o instituto.

As ocorrências de roubos de carga também sofreram diminuição sensível: de 785 em 2008 para 663 nesse ano (redução de 15,5%). Já os roubos dentro de coletivos caíram de 2.362 para 2.319 no período avaliado.

"Como em pesquisas anteriores estava ocorrendo o contrário (redução de crimes contra a vida e aumento de crimes contra o patrimônio), é possível que esses dados sejam resultados de uma orientação equivocada na política de segurança do Rio de Janeiro", afirma Soares.

"Os fatos que mais sensibilizam a opinião pública são os crimes contra o patrimônio, não os homicídios,que na verdade são os mais graves. Isso pode influenciar o governo a concentrar suas energias no combate ao crime contra o patrimônio", acrescenta.

As únicas formas de crime que aumentaram em comparação ao ano passado foram os roubos a transeuntes e de aparelhos celulares. Enquanto no primeiro tipo de delito o aumento foi de 9,8% (18.846 vítimas em 2009, contra 17.169 em 2008), no segundo o crescimento foi de 12,1% (2.073 para 2.323 ocorrências).

Segundo o ISP, entre maio e julho deste ano, ocorreram 382 estupros, aumento de 12,7% com relação ao ano passado. O mesmo ocorreu com os casos de atentado violento ao pudor, que cresceram 25,2%.

Ainda nos três meses desse ano foram registradas 2.750 ocorrências de apreensão de drogas - 301 a mais do que no ano passado - e foram cumpridos 3.222 mandados de prisão, contra 2.781 do ano passado (aumento de 15,9%).

Soares afirma que, na análise desses dados, também é necessário considerar a dinâmica do crime no RJ. "Certamente esse aumento [nos homicídios] tem relação com a ação das milícias (organizações criminosas formadas por policiais e ex-policiais). Com a prisão recente de lideranças das milícias, os grupos se pulverizam e os conflitos se multiplicam", diz.

Para mudar o quadro, segundo o antropólogo, é necessário adotar três políticas centrais: "é preciso uma revolução radical nas polícias - no Rio, crime e polícia viraram sinônimos; dar prioridade absoluta na defesa da vida - e não se lançar em tiroteios pela cidade; e investir fortemente em prevenção, e isso não ocorre no Estado", opina.

Tarso Genro visita Dona Marta
Em visita ao Rio de Janeiro, o ministro da Justiça, Tarso Genro, assinou o repasse de R$ 100 milhões do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) à prefeitura para o combate à criminalidade e depois, ao lado do prefeito Eduardo Paes e do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, subiu o morro Dona Marta, atualmente sob ocupação da Polícia Militar.

Segundo o Ministério da Justiça, os recursos serão investidos em ações preventivas em seis áreas da cidade: Vila Kennedy, Complexo da Penha, Acari, Senador Câmara, Reta do Conjunto João 23 e Cidade de Deus.

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