Popó nega envolvimento em homicídio ao depor em Salvador

Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Atualizada às 20h15

O ex-pugilista Acelino Freitas, o Popó, negou em interrogatório nesta quinta-feira (17) na Delegacia de Homicídios, envolvimento no assassinato do ex-presidiário Moisés Magalhães Pinheiro, 28, ocorrido no dia 9 deste mês. Ao final de cerca de cinco horas de depoimento, a delegada disse que não tinha elementos para indiciá-lo, mas que as investigações continuam.

"Todo mundo sabe que eu sou um homem honrado, digno. Eu não faria uma coisa dessas", afirmou Popó, que se emocionou ao chegar à delegacia.

Conforme declarações feitas à polícia por Jônatas Almeida, 22, ele e Moisés teriam sido sequestrados juntos na semana passada, supostamente a mando do ex-campeão mundial de boxe.

  • Reuters

    O advogado do lutador nega a participação do pugilista no crime e ressalta que Popó resolveu
    se apresentar espontaneamente à polícia

Segundo Jônatas, Popó esteve na casa dele, no bairro de Itapuã, para resgatar uma sobrinha de 17 anos que teria decidido morar com Moisés, havia seis dias, após desentendimentos familiares. Popó era contra o relacionamento dos dois. Há a expectativa de que a jovem, cujo nome não foi revelado, também compareça à delegacia nesta tarde.

"Fui buscar minha sobrinha numa casa onde ela estava com três homens", explicou Popó, que falou com jornalistas após rápido intervalo no depoimento. Essa primeira parte do depoimento durou cerca de uma hora e meia.

Jônatas, que trabalha como polidor de carros, disse ter telefonado para o celular da jovem, após saber por vizinhos que Popó, ao deixar a sua casa, teria ameaçado voltar com a polícia. Popó nega ter ameaçado Jônatas.

Segundo a versão de Jônatas, o boxeador atendeu ao telefone da sobrinha e negou a ameaça. Duas horas depois, porém, homens que se identificaram como policiais o abordaram juntamente com Moisés, no portão da casa, e os levaram até um matagal no bairro de Valéria, periferia da capital baiana.

De acordo ainda com o polidor, os supostos policiais telefonaram para outros colegas, que seriam policiais militares da 31ª Companhia Independente da Polícia Militar, em Valéria. Eles chegaram ao local pouco depois numa viatura, e teriam fornecido armas aos colegas. Num ponto deserto, mais adiante, próximo ao Centro Industrial de Aratu (CIA), conhecido como local de desova, os supostos policiais teriam tentado executá-los.

Jônatas diz que conseguiu fugir pulando numa ribanceira, mesmo algemado, mas ainda chegou a ouvir três disparos. Ele somente chegou à casa de parentes na madrugada do dia seguinte, ainda algemado, quando procurou a 12ª Delegacia (Itapuã) para denunciar o ocorrido. As algemas possuíam o emblema da Polícia Civil. O corpo de Moisés foi encontrado no dia seguinte. No depoimento, Popó disse não saber como Moisés morreu.

A delegada Francineide Moura diz que não existem provas materiais contra Popó.

O advogado do lutador, Sérgio Habib, nega a participação do pugilista no fato e ressalta que Popó resolveu se apresentar espontaneamente. Habib confirma, porém, que o ex-boxeador foi buscar a sobrinha na casa do rapaz. "Tudo não passa de um grande mal-entendido e será esclarecido no depoimento de Popó", disse o advogado, que orientou o pugilista a não falar sobre o caso antes do depoimento.

Tanto Jônatas quanto Moisés tem passagem pela polícia. Moisés foi condenado pela Justiça há quatro anos por roubo de carro, enquanto Jônatas Almeida, 22, foi preso duas vezes por receptação de veículo roubado.

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