Greve cresce, e Correios entram no TST para acabar com paralisação

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A continuação da greve nos Correios foi aprovada nessa quinta-feira (17) mais de 60 mil trabalhadores de 30 dos 35 sindicatos filiados à Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), o que representa uma adesão de mais de 60% dos funcionários, segundo a entidade. Somente as regionais da Bahia, Rio Grande do Norte, Bauru (SP) e Santa Maria (RS) não estão paralisadas. Os funcionários do Rio de Janeiro decidem se mantêm a paralisação nesta sexta-feira (18).

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A estatal anunciou nesta sexta-feira (18) que irá recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), após os trabalhadores não aceitarem as propostas apresentadas na última quarta-feira. De acordo com os Correios, 31% dos funcionários aderiram à greve. Há dois dias, quando a paralisação começou, a adesão era de 8%, segundo a própria empresa.

Os trabalhadores exigem reajuste salarial de 41,03%, aumento linear de R$ 300 para todos os funcionários, além de redução da jornada de trabalho e contratação de mais servidores por concurso.

A Fentect também reivindica redução da jornada de trabalho sem redução de salário, fim da terceirização, auxílio creche e educação, contratação de mais servidores e reintegração dos servidores demitidos, participação nos lucros no acordo coletivo, entregas de correspondência no período da manhã e fim dos assédios morais e sexuais.

Os Correios apresentaram ontem aos trabalhadores sua contraproposta, oferecendo reajuste salarial de 9% em acordo bianual, reajuste linear de R$ 100, aumento no valor do vale-refeição de R$ 20 para R$ 21,50 por dia e no vale-transporte de R$ 110. A Fentect quer que os acordos valham só por um ano, não para dois.

A estatal afirma que não pode oferecer proposta melhor e que, por esta razão, recorreu a TST. O argumento é que oferecer um reajuste maior prejudicaria a saúde financeira da estatal e dependeria da liberação de recursos do Ministério do Planejamento. Segundo os Correios, as negociações com os trabalhadores se arrastam por mais de um mês.

No total, os Correios possuem 116 mil funcionários. A maioria dos trabalhadores paralisados são entregadores, motoristas, operadores de triagem, funcionários de agências, motoqueiros, entre outros. Os Correios distribuem diariamente 33 milhões de correspondências e 770 mil encomendas.

Com a greve, uma boa parte das correspondências e encomendas deverão ser entregues com atraso, segundo a estatal. Nos Estados em greve, os Correios colocaram em ação um plano de contingência para garantir o funcionamento mínimo das atividades essenciais da empresa.

Como evitar transtornos
Para evitar transtornos com a greve, a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) orienta as empresas a disponibilizarem outros canais para que as contas que chegam por intermédio dos Correios sejam pagas, além de informar os clientes sobre a medida.

Segundo o Procon, os consumidores também têm a responsabilidade de procurar a empresa e descobrir meios de pagar as contas. "Não é porque a conta não chegou que o cliente não tem que pagar, mas as empresas têm que disponibilizar novos meios e avisá-los", afirma Fátima Lemos, assistente de direção do Procon.

Caso o cliente não receba a correspondência e não haja tempo hábil para efetuar o pagamento de outro modo, a empresa não deve cobrar multa e juros, de acordo com Lemos. "O mais certo é pagar uma segunda via sem multa e juros."

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