Em 24 horas, Salvador e região metropolitana registram 14 assassinatos

Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

A transferência de líderes do tráfico de drogas para penitenciárias de segurança máxima, o aumento do contingente policial nas ruas e a mudança de estratégia adotada pelo governo da Bahia para combater a criminalidade não conseguiram reduzir, pelo menos por enquanto, os índices de criminalidade principalmente em Salvador e região metropolitana. Entre a 0h deste domingo (20) e 7h desta segunda-feira (21) foram registrados 14 assassinatos na região metropolitana, de acordo com a SSP (Secretaria da Segurança Pública), número bem superior à média diária, que é de seis mortos.

Ataques mudam vida de moradores de Salvador

Os ataques contra ônibus e bases policiais de Salvador registrados nas últimas semanas, mudaram a rotina dos moradores da terceira maior cidade do Brasil. quem mora na capital baiana passou a conviver com o medo, estabelecimentos comerciais fechados, aulas suspensas em algumas escolas, ruas desertas a partir das 18 horas e alterações súbitas dos trajetos dos ônibus. Especialmente na periferia


Há duas semanas, uma onda de violência levou pânico à população de Salvador: 16 ônibus foram incendiados e bases da polícia foram metralhadas. Para conter os ataques, o Estado transferiu 14 acusados de ligação com o tráfico para penitenciárias do Mato Grosso do Sul, Catanduva (PR) e Serrinha (BA), prendeu 22 suspeitos e matou outros dez.

Desde o dia 11 deste mês a PM (Polícia Militar) não registra nenhum ataque a ônibus, mas as bases policiais estão praticamente desativadas. "Nenhum policial quer ficar mais trabalhando em bases porque se torna alvo fácil dos marginais", afirmou um soldado PM que tem 18 anos de corporação e pediu para não ser identificado.

Segundo o professor Carlos Alberto da Costa Gomes, coordenador do Observatório da Segurança Pública da Unifacs (Universidade Salvador), a prevenção e a investigação realizadas pela polícia da Bahia apresentam muitas falhas, o que facilita o aumento da criminalidade. De acordo com ele, é preciso realizar um policiamento ostensivo nas periferias e os policiais têm de sair das viaturas e conversar com a comunidade. No entanto, é na periferia que se concentram os maiores problemas relacionados à segurança pública na Bahia.

Assim como a SSP, os traficantes também mudaram sua estratégia - intensificaram o "toque de recolher" na capital baiana e passaram a ameaçar jornalistas. A secretaria nega a existência de "toque de recolher" em Salvador, mas policiais e comerciantes dizem que o esquema funciona na periferia. "Tem ruas do meu bairro que a polícia não entra mesmo, a não ser em comboio. Na semana passada, por exemplo, recebi 'ordens' de um traficante para fechar o meu estabelecimento a partir das 18h porque poderia haver um tiroteio a qualquer momento", afirmou José Carlos Santana, que tem um pequeno bar no bairro de Boca da Mata (periferia de Salvador).

Neste domingo, seis homens armados expulsaram uma equipe de reportagem do jornal "A Tarde" que estava trabalhando na cobertura de um incêndio na comunidade de Areal, no bairro de Santa Cruz. De acordo com o jornal, os jovens, que aparentavam ter entre 16 e 20 anos, bateram com as armas nas janelas do carro da reportagem e ameaçaram atirar no jornalista e no repórter-fotográfico escalados para a cobertura do incêndio.

A delegada Jussara Souza disse que há grupos armados em quase todos os bairros de Salvador. "Existem jovens armados em toda a cidade, não vamos esconder. O tráfico de armas tem de ser controlado e o governo tem trabalhado muito neste sentido. Nós oferecemos segurança para a equipe de reportagem retornar ao local, mas os jornalistas recusaram."

Segundo o secretário de Segurança Pública da Bahia, César Nunes, a polícia continua trabalhando com "inteligência" para identificar, localizar e prender os criminosos. Nunes disse também que as quadrilhas que agem em Salvador estão sendo desmanteladas a partir da transferência de seus líderes para penitenciárias de segurança máxima.

Desde que tomou posse, em janeiro de 2007, o governador Jaques Wagner (PT) enfrenta problemas na área de segurança pública. Com pouco mais de um ano no cargo, o governador trocou toda a cúpula da SSP porque os índices de violência foram considerados bem acima da média. Também desde e posse do atual governo, mais de 10 mil assassinatos foram registrados na Bahia, de acordo com dados divulgados por políticos da oposição. Os números não foram contestados.

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