Família atribui à falta de médicos morte de aposentado em Belo Horizonte

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte

Em meio à greve dos servidores da saúde de Belo Horizonte, familiares do aposentado Derotildes Pereira dos Santos, 83, morto na manhã desta segunda-feira (21) na Unidade de Pronto Atendimento Centro-Sul, atribuíram seu falecimento à falta de médicos. Um parente, que não quis se identificar por ser servidor da área da saúde do município, afirma que não havia profissional na unidade municipal para acompanhar o caso do idoso.

Servidores municipais encerram greve em BH

  • Rayder Bragon/UOL

    Em assembleia realizada na manhã desta segunda-feira, os servidores municipais da saúde, parados há 12 dias, decidiram retornar ao trabalho


"Quando eu cheguei aqui ontem à noite (domingo), tirei o meu crachá de identificação e fui vê-lo. Ele já estava delirando e a medicação dada a ele era composta somente por soro. O pé dele estava bastante roxo, mas não tinha médico aqui para acompanhá-lo", afirma.

Conforme João Pereira dos Santos, filho do aposentado, seu pai havia sido internado no dia 10 deste mês para avaliar a necessidade de amputação de um dos dedos do pé por haver um inchaço no membro.

De acordo com a família, ele vivia em Eunápolis (BA) e foi encaminhado para procurar tratamento em Belo Horizonte por conta do serviço médico daquela cidade. Na capital mineira residem três filhos dele.

Ainda conforme parentes, o homem gozava de boa saúde e não apresentava, além do problema no pé, nenhum outro sintoma de doença. Santos alega que o pai foi avaliado apenas uma vez por médicos da unidade de saúde.

Secretaria de saúde contesta
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) nega ter havido falta de atendimento médico ao idoso e nega que a greve tenha causado sua morte. Entretanto, afirma que o paciente já havia chegado ao local com quadro clínico deteriorado. A SMS afirma que o aposentado era portador de insuficiência coronariana e hipertensão grave, além de ter uma necrose no pé. O órgão ressaltou que ele foi acompanhado por médicos, continuamente, no período de internação.

Na manhã de hoje, Derotildes Pereira dos Santos apresentou hemorragia digestiva alta, evoluindo para uma parada respiratória. A secretaria afirmou que todas as medidas foram tomadas, mas não houve êxito. A unidade médica dispõe de equipamentos suficientes para o atendimento de urgência, citou o comunicado oficial.

Servidores voltam ao trabalho
Em assembleia realizada na manhã desta segunda-feira, os servidores municipais da saúde, parados há 12 dias, decidiram retornar ao trabalho. Eles acataram liminar do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que na sexta-feira (18) considerou o movimento ilegal porque os grevistas não cumpriram a escala mínima de atendimento à população, exigida nas unidades de urgência e emergência. Em caso de descumprimento, o tribunal havia fixado em R$ 100 mil a multa diária ao Sindibel (Sindicato dos servidores municipais de Belo Horizonte).

A categoria exigia da prefeitura reajuste salarial de 26% e melhoria nas condições de trabalho. O advogado da entidade disse à reportagem do UOL Notícias que tentará reverter a decisão.

O Sinmed-MG (Sindicato dos Médicos de Minas Gerais) vai realizar assembleia na noite de hoje para decidir se volta ao trabalho, apesar de a decisão também abranger a categoria. Os médicos resolveram cruzar os braços por tempo indeterminado na última sexta-feira. Até então, eles vinham fazendo paralisações pontuais.

A prefeitura revelou que, por dia, cerca de 5.000 consultas médicas deixaram de ser realizadas e que 130 pessoas não foram atendidas no Hospital Odilon Behrens, centro de emergência sob responsabilidade da prefeitura.

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