Greve nos Correios perde adesão às vésperas de audiência no TST

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizado às 21h08

A dois dias da audiência de conciliação entre os trabalhadores e os Correios no TST (Tribunal Superior do Trabalho) a greve da categoria, que completará uma semana nessa quarta-feira (23), perde adesão.

Determinação do TST para que sejam mantidos 30% dos funcionários dos Correios é coerente?

Dos 35 sindicatos filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), em nove os trabalhadores encerraram a greve - Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Ribeirão Preto (SP), Santos (SP), Bauru (SP) e Santa Maria (RS). Em assembleia realizada na tarde de hoje (22) os funcionários dos Correios do Distrito Federal votaram pela continuidade da greve.

O TST determinou ontem (21) que sejam mantidos 30% dos funcionários em cada uma das unidades dos Correios, sob pena de multa diária no valor de R$ 50 mil. De acordo com informações de ambas as partes, o percentual estabelecido pelo TST está sendo cumprido nesta terça-feira (22): a Fentect diz que cerca de 60% dos funcionários estão trabalhando, enquanto que os Correios afirmam que 83% dos trabalhadores estão em seus postos.

Segundo a Fentect, ontem a adesão à greve foi de 35% dos trabalhadores, percentual que para os Correios chegou a 76% dos 109 mil funcionários da estatal.

A carga de entregas com atraso é de 40,5 milhões de correspondências e 441 mil encomendas, para um movimento diário de aproximadamente 33 milhões de correspondências e 770 mil encomendas. A maioria dos trabalhadores paralisados é formada por entregadores, motoristas, operadores de triagem, funcionários de agências, motoqueiros, entre outros, segundo a Fentect.

Seguem suspensos os serviços com hora certa - Sedex 10, Sedex Hoje, Sedex Mundi e Disque-Coleta. O Sedex funciona, mas sem garantia de prazo para entrega, afirmam os Correios em nota

Reivindicações
Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 41,03%, aumento linear de R$ 300 para todos os funcionários, além de redução da jornada de trabalho e contratação de mais servidores por concurso. Os Correios apresentaram sua contraproposta, que valeria para os próximos dois anos, oferecendo aumento salarial de 9%, reajuste linear de R$ 100, aumento no valor do vale-refeição de R$ 20 para R$ 21,50 por dia.

O que mais causa rejeição entre os trabalhadores entre todos os itens da proposta da estatal, e que está sendo decisivo para a continuidade da greve, é o acordo valer pelos próximos dois anos. Os funcionários exigem que o acerto valha somente até o ano que vem, segundo a Fentect.

"O governo quer fechar um acordo com as estatais pelos próximos dois anos porque quer afastar a possibilidade de greves e protestos por melhores salários em ano de eleição e, assim, evitar desgastar o candidato do presidente", diz Nilson Rodrigues, integrante da Fentect em Curitiba.

Como evitar transtornos
Para evitar transtornos com a greve, a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) orienta as empresas a disponibilizarem outros canais para que as contas que chegam por intermédio dos Correios sejam pagas, além de informar os clientes sobre a medida.

Segundo o Procon, os consumidores também têm a responsabilidade de procurar a empresa e descobrir meios de pagar as contas. "Não é porque a conta não chegou que o cliente não tem que pagar, mas as empresas têm que disponibilizar novos meios e avisá-los", afirma Fátima Lemos, assistente de direção do Procon.

Caso o cliente não receba a correspondência e não haja tempo hábil para efetuar o pagamento de outro modo, a empresa não deve cobrar multa e juros, de acordo com Lemos. "O mais certo é pagar uma segunda via sem multa e juros."

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