Prefeitura não abre diálogo, e guardas civis de SP devem retomar greve, diz sindicato

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizado às 18h21

Os guardas civis metropolitanos de São Paulo se reunirão em assembleia na noite desta terça-feira (22) e, ao que tudo indica, devem aprovar a retomada da greve na categoria, segundo o secretário-geral do Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos da Cidade de São Paulo (Sindguardas), Eudes Wesley Dias Melo.

Os trabalhadores ficaram paralisados entre os dias 25 de agosto e 1º de setembro, data em que a categoria decidiu pela suspensão da greve por 20 dias, em respeito a um acordo feito com a prefeitura em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Pelo acordo, a prefeitura se comprometeria a retirar as punições aos trabalhadores caso eles suspendessem a paralisação e abriria um canal de negociação com os guardas, o que não ocorreu, segundo Melo. "Entregamos mais de 15 ofícios nos últimos dias solicitando reuniões com a prefeitura, mas não obtivemos uma resposta", afirma.

De acordo com a Edson Ortega, secretário municipal de Segurança Urbana, a secretaria avisou os trabalhadores que eles deveriam procurar a Secretaria de Gestão para tratar das reivindicações salariais. Ele afirma ainda que somente dois ofícios solicitando reunião com o prefeito foram protocolados. Ortega diz ainda que a secretaria de Gestão agendará uma data para se reunir com os guardas metropolitanos.

O sindicato afirma também que o prefeito, Gilberto Kassab, transferiu 150 trabalhadores que participaram da greve em represália ao movimento. Os guardas transferidos trabalhavam nos setores da central telefônica da GCM, superintendência de operações, no parque do Ibirapuera, gabinete do prefeito e em operações especiais.

Procurada pela reportagem do UOL Notícias, a Secretaria de Segurança Urbana negou a ocorrência das transferências.

Reivindicações da Guarda Civil Metropolitana
A categoria reivindica o aumento do piso salarial de R$ 534 para R$ 645, alegando que esse valor é pago para todos os outros funcionários municipais, e a elevação do Regime Especial do Trabalho Policial de 60% (o que equivale a R$ 320) para 140% do valor do piso.

Cabe à Guarda Civil Metropolitana proteger bens, serviços, instalações do município - como escolas, prédios públicos, ginásios, estádios, parques municipais e áreas ambientais -, fiscalizar vendedores ambulantes, prestar apoio a agentes públicos, entre outras tarefas.

Segundo Clóvis Roberto Pereira, diretor do Sindguardas, a média salarial da categoria gira em torno de R$ 1.400, somando salário e gratificações e, quanto mais tempo permanecem na função, maior é o aumento no salário. "Mas a maioria dos guardas recebe bem menos do que isso, porque os salários dos cargos de comando elevam a média. Um comandante, por exemplo, ganha R$ 13 mil por mês", diz Pereira.

Se as exigências dos trabalhadores fossem integralmente atendidas pela prefeitura, o menor salário de um guarda seria de R$ 1.548, um pouco mais do que três salários mínimos. O diretor do sindicato afirma que o salário dos guardas na capital é bem menor, se comparado aos de outras cidades da Grande São Paulo. "O piso de outros municípios da região metropolitana é de, em média, R$ 1.700."

Segundo Pereira, também é necessário que a prefeitura aumente o efetivo de guardas dos atuais 6.520 para 15 mil.

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