Guarda Civil Metropolitana decide não voltar com greve em SP; prefeitura promete analisar reivindicações

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Em luta por melhores salários e condições de trabalho, guardas civis metropolitanos de São Paulo se reuniram nesta quarta-feira (23) com o secretário municipal de Gestão e Burocratização, Rodrigo Garcia, para apresentar suas reivindicações, segundo Eudes Wesley Dias Melo, secretário-geral Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos da Cidade de São Paulo (Sindguardas).

O secretário se comprometeu a criar uma mesa específica de negociação com a categoria, de acordo com Melo. "Eles [a Secretaria de Gestão e Burocratização], que não conheciam as nossas reivindicações, prometeram que irão estudar a pauta de reivindicações e marcar para daqui a 10 dias uma nova reunião para passar uma posição", diz o sindicalista.

A categoria reivindica o aumento do piso salarial de R$ 534 para R$ 645, alegando que esse valor é pago para todos os outros funcionários municipais, e a elevação do Regime Especial do Trabalho Policial de 60% (o que equivale a R$ 320) para 140% do valor do piso.

Os guardas estiveram em greve entre os dias 25 de agosto e 1º de setembro - a primeira da história da Guarda Civil Metropolitana -, data em que a categoria decidiu pela suspensão da paralisação por 20 dias, em respeito a um acordo feito com a prefeitura em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Pelo acordo, a prefeitura se comprometeria a retirar as punições aos trabalhadores caso eles suspendessem a paralisação e abriria um canal de negociação com os guardas, o que não ocorreu, segundo Dias Melo. "Entregamos mais de 15 ofícios nos últimos dias solicitando reuniões com a prefeitura, mas não obtivemos uma resposta", afirma.

Devido o impasse, os trabalhadores realizaram uma assembleia ontem e ameaçaram entrar em greve, mas voltaram atrás em razão da reunião de hoje. A greve continua suspensa, mas os guardas seguirão trabalhando com uma tarja preta no punho direito para protestar.

O sindicato afirma que o prefeito, Gilberto Kassab, transferiu 150 trabalhadores que participaram da greve em represália ao movimento. Os guardas transferidos trabalhavam nos setores da central telefônica da GCM, superintendência de operações, no parque do Ibirapuera, gabinete do prefeito e em operações especiais. A Secretaria de Segurança Urbana negou as transferências.

Atribuições da Guarda Civil Metropolitana
Cabe à Guarda Civil Metropolitana proteger bens, serviços, instalações do município - como escolas, prédios públicos, ginásios, estádios, parques municipais e áreas ambientais -, fiscalizar vendedores ambulantes, prestar apoio a agentes públicos, entre outras tarefas.

Segundo Clóvis Roberto Pereira, diretor do Sindguardas, a média salarial da categoria gira em torno de R$ 1.400, somando salário e gratificações e, quanto mais tempo permanecem na função, maior é o aumento no salário. "Mas a maioria dos guardas recebe bem menos do que isso, porque os salários dos cargos de comando elevam a média. Um comandante, por exemplo, ganha R$ 13 mil por mês", diz Pereira.

Se as exigências dos trabalhadores fossem integralmente atendidas pela prefeitura, o menor salário de um guarda seria de R$ 1.548, um pouco mais do que três salários mínimos. O diretor do sindicato afirma que o salário dos guardas na capital é bem menor, se comparado aos de outras cidades da Grande São Paulo. "O piso de outros municípios da região metropolitana é de, em média, R$ 1.700."

Segundo Pereira, também é necessário que a prefeitura aumente o efetivo de guardas dos atuais 6.520 para 15 mil.

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