Cresce percentual de pobres com acesso a moradias de qualidade e bens de consumo, mostra Ipea

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O percentual de brasileiros que vive em moradias de boa qualidade (com saneamento, ocupação e características físicas adequadas) e que possui ao menos um conjunto de bens de consumo duráveis cresceu de forma contínua entre 1998 e 2008, mostrou análise do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) divulgada nesta sexta-feira (24). A análise foi feita com base nos dados da última Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra por domicílio) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Pnad: o perfil do brasileiro

  • Arte UOL

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A expansão foi acompanhada por desconcentração, isto é, o acesso se tornou mais bem distribuído e menos concentrado nos segmentos relativamente mais ricos da população.

A análise do Ipea apontou que mais da metade da população brasileira - 56,5% - vivia em 2008 em moradias de boa qualidade que tinham ao menos conjunto básico de bens de consumo, que inclui geladeira e fogão. O percentual é superior ao registrado em 1998, quando 44,6% da população tinha acesso aos mesmos itens. Outros 49,2% tinham acesso a moradias de qualidade com um conjunto intermediário de bens de consumo (que incluei também rádio, televisão e telefone) - também maior do que os 21,8% registrados há 10 anos.

Apesar da melhoria na qualidade geral, o percentual de moradias com saneamento básico (água, escoadouro de esgoto e coleta de lixo) adequado ficou abaixo dos demais itens. Enquanto 88,7% da população vivia em domicílios com caracaterísticas físicas adequadas e 88,3% com ocupação adequada, apenas 66% tinham saneamento básico. O serviço cresceu 10 pontos percentuais entre 1998 e 2008 e é o segundo aspecto menos concentrado.

O acesso ao conjunto intermediário de bens de consumo foi o que mais se expandiu e desconcentrou no período - foi de 28,6% em 1998 para 73,6% em 2008. "Caso o ritmo de expansão se mantenha, pode-se considerar que, em cerca de uma década, ao menos 95% da população contará com fogão, geladeira, rádio, TV, e telefone", avalia o instituto.
Acesso a saneamento básicoO domicílio deveria contar com água de rede geral de distribuição (ao menos no lote), rede coletora ou fossa séptica para escoamento de esgoto e coleta de lixo direta ou indireta
Características físicas adequadasO domicílio deveria ter as paredes e o telhado em materiais duráveis, água encanada em ao menos um cômodo (independentemente de ser de rede geral de distribuição), densidade de até três moradores por dormitório e banheiro de uso exclusivo
Ocupação adequadaO domicílio deveria ser próprio já quitado, próprio financiado com prestação de valor inferior ou igual a um terço da renda domiciliar, ou alugado por valor inferior ou igual a um terço da renda domiciliar
Acesso a bens de consumo duráveisO domicílio deveria contar com ao menos um de três conjuntos de bens duráveis - o básico, que compreende fogão e geladeira de qualquer tipo, o intermediário, que agrega TV (qualquer tipo), rádio e telefone ao conjunto básico, e o completo, que inclui máquina de lavar e TV em cores


Já o conjunto completo de bens de consumo duráveis (ver quadro ao lado) ainda atinge um público restrito - 37,6% da população - e apresenta níveis altos de concentração, segundo o Ipea. A principal diferença desse conjunto para o intermediário é a máquina de lavar roupa, uma vez que é pequeno o número de domicílios que possuem o equipamento no país - apenas 41,5% das moradias.

O percentual de brasileiros com acesso ao conjunto de bens de consumo completo somado a uma moradia de boa qualidade cai ainda mais: somente 29,5% da população tem acesso aos dois itens.

O aspecto ocupação foi a única exceção apontada pelo estudo no que diz respeito à desconcentração. Neste caso, a expansão foi acompanhada de concentração, ou seja, a parcela da população residindo em domicílios próprios quitados, ou comprometendo menos de um terço da renda domiciliar com prestação da casa própria ou com o aluguel, foi engordada por pessoas no topo da distribuição de renda.

"Tal fato salienta a necessidade da expansão do crédito para a compra de imóveis para os segmentos médios da distribuição de renda, de programas de habitação popular para os mais pobres, e de crédito para a compra de materiais de construção (o que pode ter também efeitos positivos sobre a adequação das características físicas das moradias)", apontou o Ipea.

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