Figura de Hildebrando ainda provoca muito temor na população do Acre, diz procurador; parte dos jurados deixou o caso

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A figura alta e magra do coronel reformado e deputado federal cassado Hildebrando Pascoal, acusado de liderar o esquadrão da morte que atuou na década de 90 no Acre, ainda provoca muito temor na população da região. Conseguir julgá-lo no Estado e condená-lo a 18 anos de prisão por homicídio foi "uma vitória". A opinião é do procurador Sammy Barbosa, do Ministério Público Estadual, um dos responsáveis pela investigação do caso.

"Desde o princípio sabíamos que haveria muitas dificuldades para julgar o Hildebrando no Acre, porque além da figura dele despertar muito temor e parte dos jurados ter pedido para sair do caso, existe uma parcela da sociedade acriana que acha justificável o que ele fez e acredita que exterminar criminosos ajuda a diminuir a violência", contou Barbosa.

Hildebrando está preso desde 1999 e já foi condenado a mais de 100 anos de pena por diversos crimes ligados a crime organizado, tráfico de drogas, roubo de cargas, corrupção eleitoral e homicídio. Na noite desta quarta-feira (23), ele foi condenado a mais 18 anos de prisão pela morte de Agílson Santos, conhecido como Baiano. De acordo com laudo do Instituto Médico Legal (IML), Baiano foi executado em 3 de julho de 1996 com tiros na cabeça, teve os olhos perfurados e as pernas, os braços e o pênis amputados com uma motosserra.

Em entrevista ao UOL Notícias, o procurador Sammy Barbosa defendeu que a condenação de Hildebrando é "um fato histórico e uma resposta direta do povo do Acre" e serve para colocar "um ponto final nesse capítulo negro da história do Estado".

"O crime poderia ser federalizado e julgado em Brasília, mas insistimos que fosse julgado aqui para ser julgado por cidadãos acrianos. Isso tem um peso de julgamento histórico", falou.

Apesar disso, o procurador disse que vai recorrer para que a pena seja elevada. O Ministério Público do Estado havia pedido pena máxima de 30 anos para Hildebrando.

Já o advogado dele, Sanderson Moura, anunciou que vai recorrer para tentar anular o julgamento. Hildebrando negou envolvimento no crime da motosserra e afirmou que o culpado foi o ex-vereador Alípio Ferreira, que já morreu.

Barbosa considerou ainda que a absolvição dos outros acusados - o primo de Hildebrando, Adão Libório, e o ex-policial Alex Fernandes Barros - era "praticamente inevitável".

"O grupo de Hildebrando executou muita gente no Acre, mas esse era um crime de família. Sabíamos que o Alex Barros estava no local do crime, por isso foi acusado. Mas ele confessou isso e afirmou que não participou da morte, porque os irmãos não permitiram. Foi uma vingança pessoal dos dois. É uma versão forte e que se encaixa no conjunto das provas", analisou.

Para ele, Libório é uma "figura de certa idade, com saúde debilitada e fez um depoimento emocionado". "O júri tem esse aspecto de se envolver. Muitos choraram", disse.

Na próxima semana, Pedro Pascoal, irmão de Hildebrando, será julgado pela morte do filho de Baiano, de 13 anos, e pelo sequestro e homicídio do pistoleiro piauiense Jorge Hugo Júnior, o Mordido.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos