IML identifica os dois mortos na explosão em Santo André

Rosanne D'Agostino
Bárbara Paludeti
Daniela Paixão
Do UOL Notícias, em Santo André (SP)*

Atualizada às 21h25

O Instituto Médico Legal (IML) de Santo André confirmou na noite desta quinta-feira (24) a identidade dos dois corpos encontrados em frente à loja que explodiu no início da tarde. Os nomes das vítimas são: Ana Maria Martins, funcionária da loja, e Denian Castellani.

Segundo a prefeitura de Santo André, o responsável pela loja é Sandro Luiz Castellani, primo de Denian. O corpo foi identificado pela irmã de Denian, Maria José Castellani.

O corpo de Ana Maria Martins está sendo velado. Não há informações sobre o horário nem local do enterro dos mortos.

A loja que explodiu estava em situação irregular na prefeitura. O alvará de comercialização do estabelecimento -que trabalharia com venda de fogos de artifício- foi cassado no último dia 14 de setembro, segundo a Prefeitura de Santo André, porque a loja não apresentou um documento exigido para a renovação de seu alvará de funcionamento: o laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros.

Como o responsável não apresentou o AVCB, ainda segundo a prefeitura, o pedido foi negado em 14 de setembro e dois dias depois o solicitante foi comunicado da resolução.

Suspeita-se também que no local fosse feita clandestinamente a fabricação de fogos de artifício. Segundo a Polícia Civil, Sandro Luiz Castellani foi preso em flagrante em 2002 por posse ilegal de explosivos, mas o caso foi arquivado pela Justiça.

Doze pessoas ficaram feridas no acidente. Cerca de 20 construções vizinhas foram afetadas, entre casas e estabelecimentos comerciais, algumas completamente destruídas. Destroços se espalharam por uma área de cerca de 150 metros quadrados.

A Polícia Civil ainda não localizou o dono da loja. Segundo o delegado Alberto José de Mesquita Alves, do 3º Distrito Policial de Santo André, foi descartada a possibilidade de o dono (cuja identidade ainda não foi confirmada pela polícia) estar entre as vítimas.

"Ele tinha o alvará desde 1996 para vender artigos de época no varejo como pipas, bolas, papel, mas não para fogos de artifício", afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Frederico Murano Filho.

Segundo o secretário, o pedido para venda de fogos foi feito no dia 7 de maio de 2009, mas no meio do período de avaliação, o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) da loja venceu, em junho de 2009. "Sem esse auto de vistoria nós não podemos conceder a licença para a venda dos fogos, portanto se ele estava vendendo esse tipo de produto estava irregular."

O secretário, entretanto, não confirma desde quando o bazar funcionaria de forma irregular. Isso porque o proprietário, conforme a lei, pode requerer sazonalmente a permissão para vender esse tipo de produto. "Ele já pode ter tido permissão para vender, mas na nossa gestão [a partir de 2009] ele não teve", disse.
  • Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem

    O carro que é visto nesta imagem estava em um elevador dentro da oficina mecânica localizada em frente à loja de fogos e foi arremessado com a força da explosão nesta quinta-feira


O acidente
A loja de fogos de artifício explodiu por volta das 12h30 na rua Américo Guazelli, altura do número 200, no bairro Silveiras, e atingiu diversas casas vizinhas.

Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e prefeitura informam que duas pessoas morreram. De acordo com o comandante Luiz Humberto Navarro, do Corpo de Bombeiros de São Paulo, os dois corpos foram encontrados na parte da frente da loja. Os dois corpos chegaram ao Instituto Médico Legal (IML) de Santo André por volta das 17 horas e já foram identificados.

As buscas no local foram encerradas pelos bombeiros por volta das 20h30, cerca de oito horas após a explosão.

A causa do acidente ainda não é conhecida, segundo os bombeiros. "É uma terra arrasada", afirmou Luiz Humberto Navarro, comandante do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

O trabalho dos bombeiros foi feito por escavadeiras e manualmente. Cerca de 80 bombeiros participaram do resgate durante a tarde, além de 70 guardas municipais, 35 funcionários da Defesa Civil, 20 agentes de trânsito e 12 ambulâncias do Samu. Três cães farejadores da equipe de resgate de São Paulo também estiveram no local em busca de outros corpos.

Todas as ruas ao redor estão bloqueadas, com fitas de isolamento. Os bombeiros liberaram apenas a entrada de moradores para pegar seus pertences. Escavadeiras retiram do local carcaças de automóveis e caminhões recolhem os entulhos. Centenas de curiosos acompanharam à distância o trabalho dos bombeiros.

"Há comentários de pessoas que viram o proprietário [da loja] fora da explosão. A polícia está apurando e colocando esforços na localização deles", afirmou Mauro Lopes, porta-voz do Corpo de Bombeiros.

Casas evacuadas
A Defesa Civil informa ainda que nesta sexta-feira (25) avaliará a situação dos imóveis afetados pela explosão.

"Quem está nas zonas quente e morna, que é como nós classificamos o entorno da explosão, não vão voltar para casa hoje", completou o tenente Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros.

Depoimentos
Relatos de testemunhas dizem que a vibração da explosão foi sentida em bairros vizinhos. Uma funcionária da fábrica de embalagens Pirâmide, que fica no número 55 da mesma rua, contou ao UOL Notícias que estava almoçando em um restaurante a cerca de 1 quilômetro da loja no momento da explosão e mesmo assim sentiu os tremores. "Foi horrível, todo mundo entrou em pânico e pensou que tinha caído um avião", lembrou. (Veja os depoimentos)

Um dos feridos seria o dono da mecânica vizinha à loja, conhecido como Wagner. Segundo o dono da empresa de filtros Gradial, Almedir Botelho, que fica em frente à fábrica de fogos, o mecânico estava sozinho no momento da explosão e foi para o hospital apenas com ferimentos leves.

O empresário contou que o carro que é visto no local da explosão estava em um elevador dentro da mecânica e foi arremessado. Segundo ele, as casas da região foram destelhadas e os vidros do salão de beleza próximo à fábrica estouraram.

Local da explosão

  • Reprodução/UOL Mapas

    A explosão ocorreu na rua Américo Guazelli, no bairro Silveiras, em Santo André (SP)

  • Reprodução/UOL Mapas

    Mapa mostra o município de Santo André, no ABC Paulista; o ícone indica o local da explosão



*Com informações de Ana Luisa Bartholomeu, Fabiana Uchinaka, Gabriela Sylos e Marcio Pinheiro, do UOL Notícias, em São Paulo

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