Vizinhos reclamavam da loja de fogos perto de residências e temiam explosão

Rosanne D'Agostino
Bárbara Paludeti
Daniela Paixão
Do UOL Notícias, em Santo André (SP)*


A loja de pipas e fogos de artifício que explodiu na rua Américo Guazelli, em Santo André (Grande São Paulo), nesta quinta-feira (24), já havia sido motivo de disputa entre os moradores do bairro. É o que conta Ana Lúcia, que há 30 anos mora em um sobrado em frente ao local da explosão.

"Esta era uma casa de pipas, que vendia algumas bombinhas. Depois o negócio começou a crescer e os vizinhos chegaram a reclamar. Gerou até briga de chamar a polícia, mas ninguém nunca fez nada", disse ela.

Ana Lúcia afirmou que o dono da loja, que se chamava Sandro, recebia "muita gente que vinha comprar fogos em dia de final de futebol".

Segundo ela, Sandro morava com a mulher e o filho de 4 ou 5 anos em um bairro próximo, mas passava a maior parte do tempo na loja. A mãe dele morava na loja.

"Acredito que o meu vizinho tenha morrido. Tudo ficou destruído. Telhados, paredes... De vidro, não sobrou nada. Nosso carro foi parar do outro lado da rua. Tivemos prejuízos irreparáveis", falou Ana Lúcia, que já obteve autorização dos bombeiros para voltar à sua casa buscar pertences.

Sandra Gomes é funcionária de salão de beleza Depil Center que fica em frente à loja. Ela disse que sempre temeu uma possível explosão. "O que a gente podia fazer?", desabafou.

Zilene Teixeira Xavier, dona do salão, afirmou ainda que nunca chegou a ir até a prefeitura, mas reclamou diretamente com os donos da loja algumas vezes.

Já Ademir Medeia, que vive ao lado do estabelecimento há 57 anos, também confirma que os vizinhos reclamaram da loja. Segundo ele, alguns moradores chegaram a organizar um abaixo-assinado para retirar o comércio da região.

Outro morador que reclamou foi Bernardinho Torres Moreno, de 77 anos, que mora no bairro há 48 anos. "Todo mundo reclamava da loja", afirmou.

Outros depoimentos
Relatos de testemunhas dizem que a vibração da explosão foi sentida em bairros vizinhos. Uma funcionária da fábrica de embalagens Pirâmide, que fica no número 55 da mesma rua, contou ao UOL Notícias que estava almoçando em um restaurante a cerca de 1 quilômetro da loja no momento da explosão e mesmo assim sentiu os tremores. "Foi horrível, todo mundo entrou em pânico e pensou que tinha caído um avião", lembrou. (Leia os depoimentos)

Um dos feridos seria o dono da mecânica vizinha à loja, conhecido como Wagner. Segundo o dono da empresa de filtros Gradial, Almedir Botelho, que fica em frente à fábrica de fogos, o mecânico estava sozinho no momento da explosão e foi para o hospital apenas com ferimentos leves.

O empresário contou que o carro que é visto no local da explosão estava em um elevador dentro da mecânica e foi arremessado. Segundo ele, as casas da região foram destelhadas e os vidros do salão de beleza próximo à fábrica estouraram.

  • Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem

    O carro que é visto no local da explosão estava em um elevador dentro da oficina mecânica que fica em frente à loja de fogos que explodiu nesta quinta-feira em Santo André


*Com informações de Ana Luisa Bartholomeu, Fabiana Uchinaka, Gabriela Sylos e Marcio Pinheiro, do UOL Notícias, em São Paulo

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