Bancários seguem em greve em 26 Estados e no DF; 34,5 mil aderem em SP, diz sindicato

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Como pagar suas contas

A paralisação das agências não altera as datas de vencimento de contas e dívidas. A Fenaban orienta a população a procurar as agências e, se caso estiverem fechadas, pagar as contas em casas lotéricas, supermercados, farmácias, pela internet ou por telefone. A lista com telefones e endereços de agências pelo Brasil pode ser consultada aqui.


Atualizada às 18h28

A greve dos bancários por melhores salários entrou no segundo dia com paralisação em todos os Estados, além do Distrito Federal, de acordo com a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro). Cerca de mil Trabalhadores de São Paulo fizeram passeata na tarde desta sexta-feira (25) na avenida Paulista, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. O sindicato estima que 34,5 mil bancários aderiram à greve em SP.

Ontem, cerca de 2.800 unidades bancárias aderiram à greve, segundo a Contraf, o que representa aproximadamente 14% do total. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não informa a adesão à greve, nem o número de clientes afetados, mas diz que a paralisação afeta mais as regiões centrais das grandes cidades.

Fim da paralisação em SP aumenta possibilidade de greve nos Correios acabar

Após os servidores dos Correios da Grande São Paulo decidirem encerrar a paralisação na tarde de ontem, é grande a possibilidade de a greve nacional da categoria terminar nesta sexta-feira (25), depois de nove dias de duração. Por volta das 17h30, servidores do Distrito Federal também encerraram a paralisação. Para que a greve encerre nacionalmente, basta que trabalhadores de três sindicatos regionais decidam pelo fim da paralisação.


"A greve está surpreendendo. Tivemos uma adesão grande não só em bancos públicos, como sempre ocorre, mas em privados também. A paralisação foi significativa no Bradesco e também no Itaú e Unibanco, bancos que estão em processo de fusão [os dois últimos]", diz Carlos Cordeiro, presidente da Contraf, entidade filiada à CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Os bancários rejeitaram proposta oferecida pela Fenaban ("braço" sindical da Febraban - Federação Brasileira dos Bancos), que ofereceu reajuste de 4,5% nos salários no último dia 17. A categoria pede reajuste de 10%, além de PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) composta por três salários mais valor fixo de R$ 3.850.

A proposta da Fenaban previa pagamento de 1,5 salário, limitado a R$ 10 mil e a 4% do lucro líquido do banco. Os trabalhadores pedem ainda proteção ao emprego, mais contratações, além do "fim do assédio moral e da metas abusivas". A entidade afirma que está aguardando uma contraproposta dos trabalhadores para retomar as negociações e que não irá se manifestar enquanto os trabalhadores não se posicionarem.

Já o presidente da Contraf diz que os bancários fizeram quatro rodadas de negociações com a Fenaban durante um mês. "Não vamos ficar fazendo leilão. Gastamos um mês discutindo a pauta de reivindicações com a Fenaban em quatro rodadas de negociações. Eles fizeram uma proposta baixa e esperam que a gente rebaixe a nossa proposta. Não vamos fazer isso", afirma Cordeiro.

330 postos paralisam em SP
Balanço parcial divulgado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região aponta que 728 locais de trabalho, entre agências e prédios administrativos, não funcionaram nesta sexta, entre eles as sedes da Nossa Caixa, Banco do Brasil, Unibanco e Bradesco Alphaville.

A entidade disse que os bancários não estão envolvidos no protesto que terminou um confusão no centro de São Paulo. O grupo de manifestantes formado por comerciantes ateou fogo em um carro que estava na rua Boa Vista, segundo o Corpo de Bombeiros.

A categoria conta com 465 mil bancários sindicalizados no país, dos quais 134 mil estão na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

O Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região estima que 138 agências e dez sedes administrativas estejam fechadas hoje e que 10,2 mil trabalhadores paralisaram as atividades.

Apoio político
Ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, atualmente presidente do PT (Partido dos Trabalhadores), Ricardo Berzoini postou duas mensagens na rede de microblogs Twitter em defesa da mobilização dos bancários.

Bancários não estavam em protesto em que carro foi incendiado

Um protesto terminou em confusão na rua Boa Vista, no centro de São Paulo. De acordo com o Corpo de Bombeiros, por volta de 10h25 desta sexta-feira (25) os manifestantes atearam fogo em um carro que estava estacionado na região. Os bancários afirmam que não participaram desse protesto.


Na primeira postagem, ele afirmou: "os bancários mostram mais uma vez que sabem se mobilizar para defender seus direitos". Em seguida, criticou a posição dos bancos: "os bancos, novamente, não apresentaram proposta compatível com a situação do setor".

Apesar do apoio de Berzoini, Carlos Cordeiro afirma que os bancários "não vão fazer lobby" para sensibilizar o governo federal a ajudá-los nas negociações. "Isso a gente resolve na mesa de negociação", disse.

Cordeiro, no entanto, espera que o governo "dê uma resposta aos trabalhadores". "O governo é o maior acionista do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. O governo é banqueiro também. Portanto, nós queremos que o governo assuma seu papel na Fenaban", afirmou.

Como pagar suas contas
A paralisação das agências não altera as datas de vencimento de contas e dívidas. A Fenaban orienta a população a procurar as agências e, se caso estiverem fechadas, pagar as contas em casas lotéricas, supermercados, farmácias, pela internet ou por telefone. A lista com telefones e endereços de agências pelo Brasil pode ser consultada aqui.

A federação informa ainda que todos os serviços realizados fora das agências funcionarão normalmente, assim como os serviços de compensação de cheques, transferência de recursos via Documento de Ordem de Crédito (DOC) ou Transferência Eletrônica Disponível (TED), o recolhimento de depósitos e pagamentos nos caixas eletrônicos e o abastecimento de numerário desses equipamentos.

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