Fim da paralisação em SP aumenta possibilidade de greve nos Correios acabar hoje

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Bancários seguem em greve em 26 Estados e no DF

A greve dos bancários por melhores salários entrou no segundo dia com paralisação em todos os Estados, além do Distrito Federal, de acordo com a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro). Trabalhadores de São Paulo farão uma passeata na avenida Paulista, em São Paulo, a partir das 15h desta sexta-feira.


Atualizada às 18h11

Após os servidores dos Correios da Grande São Paulo decidirem encerrar a paralisação na tarde de ontem, é grande a possibilidade de a greve nacional da categoria terminar nesta sexta-feira (25), depois de nove dias de duração. Por volta das 17h30, servidores do Distrito Federal também encerraram a paralisação. Para que a greve encerre nacionalmente, basta que trabalhadores de três sindicatos regionais decidam pelo fim da paralisação.

Ao todo são 35 sindicatos regionais ligados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect). Para a greve acabar é necessário que 18 sindicatos encerrem a paralisação. Até o momento, a Fentect considera em greve 20 sindicatos. Serão realizadas hoje ao menos sete assembleias pelo país para definir o futuro da mobilização.

Ontem (24), representantes da Fentect e da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) se reuniram no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em audiência de conciliação mediada pelo ministro João Oreste Dalazen, mas não chegaram a um acordo. O ministro Márcio Eurico julgará o dissídio coletivo em data ainda não marcada.

Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 41,03%, aumento linear de R$ 300 para todos os funcionários, além de redução da jornada de trabalho e contratação de mais servidores por concurso. Os Correios apresentaram sua contraproposta, que valeria para os próximos dois anos, oferecendo aumento salarial de 9%, reajuste linear de R$ 100, aumento no valor do vale-refeição de R$ 20 para R$ 21,50 por dia.

No entanto, o que mais causa rejeição entre os trabalhadores entre todos os itens da proposta da estatal, e que está sendo decisivo para a continuidade da greve, é o acordo valer pelos próximos dois anos. Os funcionários exigem que o acerto valha somente até o ano que vem, segundo a Fentect.

"O governo quer fechar um acordo com as estatais pelos próximos dois anos porque quer afastar a possibilidade de greves e protestos por melhores salários em ano de eleição e, assim, evitar desgastar o candidato do presidente", diz Nilson Rodrigues, integrante da Fentect em Curitiba.

Se a maioria dos sindicatos acabar com a greve, a Fentect poderá encaminhar aos Correios um documento informando a aceitação da proposta atual. Caso isso ocorra, tudo indica que ECT manterá a proposta e pedirá o fim do julgamento de dissídio coletivo no TST.

Balanço da greve
Segundo os Correios, a adesão à greve nesta sexta-feira é de 4% dos trabalhadores, percentual que sobe para 55% na contagem da Fentect. A maioria dos trabalhadores paralisados é formada por entregadores, motoristas, operadores de triagem, funcionários de agências, motoqueiros, entre outros, segundo a federação.

A carga de entregas com atraso é de 48,8 milhões de correspondências e cerca de 300 mil encomendas, de acordo com a ECT. Considerando que o movimento diário nos Correios é de aproximadamente 33 milhões de correspondências e 770 mil encomendas, serão necessários dois dias para que as entregas em atraso sejam realizadas. A estatal informou que pretende fazer uma força-tarefa nos próximos dias - inclusive no final de semana - para atender a demanda.

Seguem suspensos os serviços com hora certa - Sedex 10, Sedex Hoje, Sedex Mundi e Disque-Coleta. O Sedex funciona, mas sem garantia de prazo para entrega, afirmam os Correios.

Questões políticas
Na sexta-feira passada, Lula palpitou sobre a greve e falou aos sindicalistas: "o bom dirigente sindical é aquele que tem coragem de começar a greve e tem coragem de acabá-la. O dirigente que fica pedindo aquilo que está além das possibilidades [da empresa], apenas para dizer que vai continuar em greve, pode levar os trabalhadores a prejuízos enormes no final das contas", disse Lula.

Nilson Rodrigues, que entregou ao presidente a lista de reivindicações da categoria, respondeu à afirmação do presidente: "o próprio Lula, quando era dirigente sindical, acabou com greves que ele não poderia ter acabado. Ele tem que rever o seu passado de dirigente sindical antes de falar isso. Inclusive a história mostra que teve momentos em que ele foi 'pelego'".

As eleições do ano que vem ocupam um papel importante dentro da negociação pelo fim da greve. Dos sete trabalhadores da comissão de negociação, três são ligados à Articulação Socialista (do PT), à Corrente Socialista Classista e à Central dos Trabalhadores do Brasil (ambas ligadas ao PCdoB), setores que apoiam o governo federal.

Os outros quatro integrantes são ligados à Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), Movimento Resistência e Luta e PCO (Partido da Causa Operária), correntes de oposição ao governo petista. Do grupo, só concordaram com a proposta apresentada pelos Correios os três integrantes das correntes ligadas ao governo.

Como evitar transtornos
Para evitar transtornos com a greve, a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) orienta as empresas a disponibilizarem outros canais para que as contas que chegam por intermédio dos Correios sejam pagas, além de informar os clientes sobre a medida.

Segundo o Procon, os consumidores também têm a responsabilidade de procurar a empresa e descobrir meios de pagar as contas. "Não é porque a conta não chegou que o cliente não tem que pagar, mas as empresas têm que disponibilizar novos meios e avisá-los", afirma Fátima Lemos, assistente de direção do Procon.

Caso o cliente não receba a correspondência e não haja tempo hábil para efetuar o pagamento de outro modo, a empresa não deve cobrar multa e juros, de acordo com Lemos. "O mais certo é pagar uma segunda via sem multa e juros."

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