Mãe de dono de loja que explodiu em SP depõe e nega pólvora irregular

Daniela Paixão*
Do UOL Notícias
Em Santo André (SP)

Sônia Maria Castellani, 63, mãe do dono da loja que explodiu em Santo André (região do ABC paulista) nesta quinta (24) prestou depoimento à Polícia Civil pouco depois de ter alta hospitalar nesta sexta (25). A explosão causou duas mortes e deixou 12 feridos.

Moradores acompanham perícia em casas

  • O UOL Notícias teve acesso a uma das casas atingidas; a polícia já deu início às investigações



Segundo o delegado Alberto José Mesquita Alves, titular do 3º Distrito Policial de Santo André, Sônia, em depoimento de cerca de uma hora e meia, afirmou que não havia fabricação de fogos no local e que desconhece o paradeiro do filho, Sandro Luiz Castellani, e da nora.

Até o momento, 12 pessoas foram ouvidas no inquérito. Segundo o delegado, ainda não é possível dizer que havia estoque de pólvora no local. "A quantidade de pólvora na loja vai depender do trabalho da perícia técnica e esse trabalho não vai ser fácil. Foram encaminhados cerca de 40 caminhões de entulho para a perícia analisar, vai ser um trabalho muito minucioso", afirmou.

Perícia e investigações
A Polícia Civil aguarda que Sandro se apresente para prestar esclarecimentos no inquérito que apura as causas do acidente. Nesta tarde, o delegado Alberto José Mesquita Alves, titular do 3º Distrito Policial de Santo André, acompanhou o trabalho da perícia no local do acidente e afirmou que ele ainda não foi localizado e nem entrou em contato. Até agora, 12 pessoas prestaram depoimento.

Explosão deixou dois mortos e 12 feridos

  • Fábio Braga/Folha Imagem

    A loja que vendia fogos de artifício (f) explodiu por volta das 12h30 desta quinta (24); de acordo com a Prefeitura de Santo André, o estabelecimento não tinha permissão para vender esse tipo de artefato



Vizinhos de Sandro afirmaram ao UOL Notícias terem visto parentes na casa em que ele mora na cidade saindo com três malas grandes, pouco depois do acidente.

A perícia finalizou hoje a avaliação estrutural das casas atingidas. Quatro delas estão inabitáveis. Três já foram demolidas e mais uma será derrubada. Segundo o tenente João Batista Camargo, diretor da Defesa Civil de Santo André, 30 casas foram isoladas ontem e cerca de 100 pessoas tiveram que deixar suas moradias.

As máquinas para a demolição estão no local. De acordo com a Defesa Civil, as famílias que moravam nas casas interditadas buscaram abrigo em casas de parentes. Os outros moradores da área devem voltar para as suas casas até o final do dia.

O Ministério Público também instaurou procedimentos para investigar a explosão, por meio da Promotoria de Justiça do município. A apuração será no âmbito criminal e na esfera cível. O MP também apura a concessão de licença de funcionamento do estabelecimento em área residencial e se houve fiscalização do imóvel. Os responsáveis podem responder por danos ambientais, materiais e pelas duas mortes.

Moradores acompanham trabalhos
Mabel Carvalho, 36, dona de uma das casas interditadas, chegou a ser hospitalizada. Muito ferida, com escoriações nos braços e nas pernas, ela disse estar muito triste com a situação da casa. "A vontade é ir embora, mas como a casa é própria, a gente não pode simplesmente deixar", afirmou.

Um caminhão de mudança já carregou alguns de seus pertences e ela está indo para a casa de uma amiga, a exemplo do que ocorre com a maioria dos moradores de casas atingidas. Nesta tarde, famílias das casas liberadas já retiram móveis, limpam e contabilizam os prejuízos.

Loja não podia vender fogos
A loja que explodiu estava sem permissão para vender fogos de artifício, segundo informou a prefeitura. O alvará de comercialização do estabelecimento foi cassado no último dia 14 de setembro porque a loja não apresentou um documento exigido para a renovação: o laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros.

"A loja tinha o alvará desde 1996 para vender artigos de época no varejo como pipas, bolas, papel, mas não para fogos de artifício", afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Frederico Murano Filho. "Sem esse auto de vistoria, nós não podemos conceder a licença para a venda de fogos, portanto, se ele estava vendendo esse tipo de produto, estava irregular."

Os bombeiros afirmam ter encontrado pólvora e grande quantidade de matéria-prima para fazer bombas e fogos no local. Segundo a Polícia Civil, o dono da loja chegou a ser preso em flagrante em 2002 por posse ilegal de explosivos, mas o caso foi arquivado pela Justiça.

Vizinhos já reclamaram do local
Uma loja que vendia pipas e outros artigos comuns a um bazar, que, ao longo dos anos, foi se especializando na venda de fogos de artifício. Foi como vizinhos descreveram o local da explosão, segundo os relatos, motivo de disputa entre os moradores do bairro. É o que conta Ana Lúcia, que há 30 anos mora em um sobrado em frente à loja.

Onde ocorreu o acidente



"Esta era uma casa de pipas, que vendia algumas bombinhas. Depois o negócio começou a crescer e os vizinhos chegaram a reclamar. Gerou até briga de chamar a polícia, mas ninguém nunca fez nada", disse ela.

Outro morador que reclamou foi Bernardinho Torres Moreno, 77, que mora no bairro há 48 anos. "Todo mundo reclamava da loja", afirmou.

Relatos de testemunhas dizem que a vibração da explosão foi sentida em bairros vizinhos. Uma funcionária da fábrica de embalagens Pirâmide, que fica no número 55 da mesma rua, contou ao UOL Notícias que estava almoçando em um restaurante a cerca de 1 quilômetro da loja no momento da explosão e mesmo assim sentiu os tremores. "Foi horrível, todo mundo entrou em pânico e pensou que tinha caído um avião", lembrou. (Leia os depoimentos)

*Com informações de Rosanne D'Agostino, do UOL Notícias, em São Paulo

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