Peritos inspecionam casas atingidas por explosão em Santo André; dono de loja ainda não foi localizado

Rosanne D'Agostino e Daniela Paixão
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O delegado Alberto José Mesquita Alves, titular do 3º Distrito Policial de Santo André (região do ABC Paulista), acompanha nesta manhã o trabalho do peritos que vão fazer uma avaliação estrutural das cerca de 30 casas que foram atingidas pela explosão da loja de fogos de artifício na tarde de ontem.

Explosão deixou dois mortos e 12 feridos

  • Fábio Braga/Folha Imagem

    A loja que vendia fogos de artifício (f) explodiu por volta das 12h30 desta quinta (24); de acordo com a Prefeitura de Santo André, o estabelecimento não tinha permissão para vender esse tipo de artefato



Segundo Alves, o dono da loja, identificado como Sandro Luiz Castellani, ainda não foi localizado e não há informação sobre contato dele ou de seu advogado com a Polícia Civil. As causas da explosão começam a ser investigadas hoje.

Os peritos chamaram os moradores do locais afetadas para acompanhar a inspeção de suas casas, que está programada para durar o dia inteiro. As casas que forem consideradas inabitáveis serão interditadas. Três casas foram destruídas e outras 30 construções, entre casas e estabelecimentos comerciais, foram esvaziadas e isoladas ontem. Destroços da explosão se espalharam por uma extensão de cerca de 200 metros. Cem pessoas precisaram deixar suas casas e foram para as de familiares ou amigos.

O acidente, que ocorreu por volta das 12h30 de ontem, causou duas mortes e deixou 12 pessoas feridas. O corpo de Ana Maria Martins, de 48, funcionária do local, está sendo velado numa igreja evangélica e será enterrado às 11h45 no Cemitério do Curuça, em Santo André. Já o corpo de Denian Castellani, 41, primo do dono da loja, será enterrado às 16h no cemitério Parque Grande ABC em Mauá (na Grande SP). O velório ocorre no mesmo local, desde da manhã de hoje.

O Centro Hospitalar Municipal informou que a paciente Sônia Maria Castellani, 63, teve alta nesta sexta-feira. Ela foi levada para o hospital com queimadura superficial no globo ocular direito e problemas de arritmia cardíaca. Já Wagner Jesus Montari, 48, segue internado para observação.

O delegado Alves já iniciou a lavratura do boletim de ocorrência, ouvindo testemunhas da explosão na delegacia no início da noite de ontem. Um inquérito deve ser aberto para investigar as causas do acidente e apontar possíveis responsáveis.

O Ministério Público também vai instaurar procedimentos para investigar a explosão, por meio da Promotoria de Justiça do município. A apuração será no âmbito criminal e na esfera cível. O MP também apura a concessão de licença de funcionamento do estabelecimento em área residencial e se houve fiscalização do imóvel.

Os responsáveis podem responder por danos ambientais, materiais e pelas duas mortes.

Loja não podia vender fogos
A loja que explodiu estava sem permissão para vender fogos de artifício, segundo informou a prefeitura. O alvará de comercialização do estabelecimento foi cassado no último dia 14 de setembro porque a loja não apresentou um documento exigido para a renovação: o laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros.

"A loja tinha o alvará desde 1996 para vender artigos de época no varejo como pipas, bolas, papel, mas não para fogos de artifício", afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Frederico Murano Filho. "Sem esse auto de vistoria, nós não podemos conceder a licença para a venda de fogos, portanto, se ele estava vendendo esse tipo de produto, estava irregular."

Os bombeiros afirmam ter encontrado pólvora e grande quantidade de matéria-prima para fazer bombas e fogos no local. Segundo a Polícia Civil, o dono da loja chegou a ser preso em flagrante em 2002 por posse ilegal de explosivos, mas o caso foi arquivado pela Justiça.

Vizinhos já reclamaram do local
Uma loja que vendia pipas e outros artigos comuns a um bazar, que, ao longo dos anos, foi se especializando na venda de fogos de artifício. Foi como vizinhos descreveram o local da explosão, segundo os relatos, motivo de disputa entre os moradores do bairro. É o que conta Ana Lúcia, que há 30 anos mora em um sobrado em frente à loja.

Onde ocorreu o acidente



"Esta era uma casa de pipas, que vendia algumas bombinhas. Depois o negócio começou a crescer e os vizinhos chegaram a reclamar. Gerou até briga de chamar a polícia, mas ninguém nunca fez nada", disse ela.

Outro morador que reclamou foi Bernardinho Torres Moreno, 77, que mora no bairro há 48 anos. "Todo mundo reclamava da loja", afirmou.

Relatos de testemunhas dizem que a vibração da explosão foi sentida em bairros vizinhos. Uma funcionária da fábrica de embalagens Pirâmide, que fica no número 55 da mesma rua, contou ao UOL Notícias que estava almoçando em um restaurante a cerca de 1 quilômetro da loja no momento da explosão e mesmo assim sentiu os tremores. "Foi horrível, todo mundo entrou em pânico e pensou que tinha caído um avião", lembrou. (Leia os depoimentos)

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