Brasil quer ampliar participação no setor nuclear mundial

Alana Gandra
Da Agência Brasil

O Brasil está se preparando para ampliar sua presença no mercado nuclear internacional. O presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Guilherme Camargo, disse à Agência Brasil que existe um consenso mundial de que a energia nuclear é uma alternativa economicamente viável e ambientalmente sustentável para suceder os combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão, ao longo deste século.

"E nós estamos nos preparando. O Brasil é rico em recursos uraníferos - tem uma das maiores reservas de urânio do mundo - e não pode perder essa oportunidade do novo ciclo energético que certamente virá, baseado na energia nuclear", afirmou.

O Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo, com apenas um terço do território prospectado. Camargo disse que isso abre um potencial grande para que o país possa estar, dentro de alguns anos, entre as duas ou três maiores reservas do mundo. Além disso, o país domina o ciclo completo do combustível nuclear com tecnologia de ultracentrifugação, desenvolvida no país. "Essa é, sem dúvida, a melhor tecnologia do mundo para enriquecimento de urânio", disse Camargo.

Ele afirmou ainda que o Brasil se encontra hoje em uma situação de novos desafios na área nuclear. "Estamos retomando a construção da Usina Angra 3, temos a perspectiva de implantação de uma nova mina de urânio no município de Santa Quitéria (CE) e, ao mesmo tempo, o governo, por meio da Eletronuclear, está estudando as alternativas de localização da quarta usina nuclear no Nordeste do país. Esse é um cenário animador para o setor nuclear brasileiro".

Segundo o presidente da Aben, os investimentos em infraestrutura são fundamentais para que haja uma recuperação sustentável das economias do Brasil e dos demais países do mundo, após a crise financeira internacional. Camargo mencionou, nesse sentido, o discurso feito esta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Organização das Nações Unidas (ONU), sobre a falência do modelo financeiro vigente no mundo ao longo das duas últimas décadas.

"No entendimento da Aben e da comunidade nuclear, os investimentos em infraestrttura, energia, transportes, eletrificação, na indústria de base e na indústria de bens de capital são fundamentais para que os países possam retomar o crescimento e gerar os empregos e o bem-estar social que a população precisa. E a energia nuclear se inclui dentro desse cenário de retomada dos investimentos produtivos", disse.

A Aben promove a partir de amanhã (27), no Rio de Janeiro, a International Nuclear Atlantic Conference (Inac 2009). Maior conferência nuclear do Hemisfério Sul, a Inac 2009 conta até o momento com 1.500 pessoas inscritas e 900 trabalhos aprovados, que serão apresentados durante o evento, previsto para se estender até o próximo dia 2 de outubro.

Segundo Camargo, isso demonstra a força e o compromisso da comunidade nuclear nacional e internacional de consolidar a energia nuclear como uma tecnologia "fundamental e imprescindível" para o progresso da humanidade.

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