Partos envolvendo adolescentes caem 30% em dez anos

Amanda Cieglinski
Da Agência Brasil

Brasília - Em dez anos, o número de partos entre meninas de 10 a 19 anos na rede pública caíram 30,6%. De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em 2008 foram realizados 485,64 mil partos contra 699,72 mil em 1998. Hoje (26) está sendo comemorado o Dia Internacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência.

Para a coordenadora de Saúde do Adolescente e do Jovem do ministério, Thereza de Lamare, um dos motivos que levaram à redução foi a parceria com o Ministério da Educação. As escolas estão sendo utilizadas como espaços estratégicos para disseminar as informações sobre o assunto.

"Conseguimos melhorar muito a informação para que os pais, professores e alunos possam compreender o que está acontecendo com o adolescente nessa fase", disse Thereza de Lamare. A coordenadora também destacou que há mais investimentos dos governos em prevenção, com ampliação da compra e distribuição de anticoncepcionais e preservativos.

Ela também acredita que as estratégias de comunicação estão mais eficientes e que por meio da internet os jovens têm mais acesso às informações. "Ainda mais importante do que a informação é a orientação. Às vezes a informação por si só não consegue fazer com que o adolescente modifique a sua conduta. Ele sabe da importância da camisinha, mas muitas vezes não a usa porque acredita que não vai acontecer com ele", disse.

O projeto Vale Sonhar, desenvolvido pelo Instituto de Educação Sexual Kaplan, de São Paulo, tenta conscientizar o jovem a respeito das responsabilidades que chegam com uma gravidez precoce. Uma dinâmica simula quais as situações reais seriam enfrentadas pela adolescente se ela engravidasse. A interrupção dos estudos, a exclusão de grupos sociais e a não aceitação por parte da família são algumas das experiências reproduzidas.

"A gente precisa entrar no mundo do jovem e proporcionar as situações que sejam muito parecidas com àquelas que ele está vivendo para entender que aquilo pode acontecer com ele ", afirmou Camila Macedo psicóloga e educadora do instituto.

Ela acredita que a redução de gestações na adolescência está ligada também a uma mudança na metodologia de trabalho de governos e entidades, colocando o adolescentes no alvo da prevenção primária. " A informação às vezes chega ao adolescente, mas de forma muito chata. O trabalho hoje em dia de educação sexual tem que ser muito dinâmico, interativo e moderno. Ele precisa se sentir parte daquilo", disse.

Para a psicóloga, a conversa sobre sexo entre os adolescentes e os pais ainda é difícil. "Essa é sempre uma dúvida dos pais: quando falar de sexo. Não existe um momento ideal. A família precisa tentar o máximo possível de espontaneidade, se mostrar aberta e sem nenhum tipo de julgamento. Mas é difícil para os pais abrir esse canal de comunicação", afirmou.

Para falar diretamente aos jovens sobre o problema, uma das ações do Ministério da Saúde é a caderneta da saúde do adolescente. De acordo com o órgão, até outubro serão distribuídos 4 milhões de exemplares para 433 municípios. O material impresso em duas versões —para menina e para menino— trazem informações sobre a saúde sexual e reprodutiva, alimentação, puberdade e o uso de drogas. A caderneta fica com o adolescente, que deve preenchê-la com seus dados pessoais. O material também está disponível para download no site do ministério.

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