No 1º dia, operação especial do metrô de São Paulo não funciona e é suspensa

Haroldo Ceravolo Sereza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Durou 25 minutos. Vinte e cinco minutos de tensão crescente. Daí alguém gritou: "Vágner, libera aí, libera."

Dia foi tenso, reconhece secretário

Acabava ali a primeira tentativa de disciplinar o embarque de passageiros na estação Sé, na plataforma que leva à zona leste da linha 3 do Metrô de São Paulo.

O secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, disse que a chuva na zona leste, que diminui a velocidade dos trens em até 30%, foi a principal responsável pela suspensão da operação. Com a chuva, menos pessoas deixavam a estação levadas pelos trens, enquanto o fluxo de novos passageiros se mantinha.

A chuva, mais a novidade da organização, começou a dar confusão, e aí veio a decisão de interromper a experiência.

A medida, resposta aos recentes problemas de superlotação da plataforma de embarque na Sé - na semana passada, após uma interrupção nas operações devido a um princípio de incêndio, as plataformas se encheram -, criava uma espécie de caminho único, que todo usuário que fosse embarcar ali tinha de pegar, viesse ele de um trem da linha Norte-Sul, estivesse ele entrando na própria Sé.

Por meio de baias e bloqueios, controlados por 200 pessoas, o Metrô tentava evitar que houvesse empurra-empurra e aperto próximo à área de embarque, onde já existiam outras baias e onde o risco de acidente é maior.

Com códigos marcados no chão, que deveriam ser ocupados cada um por um usuário, ficavam definidos os limites de pessoas que poderiam entrar por vez no trem. Segundo a secretaria, continuariam entrando as cerca de 600 pessoas que todos os dias se acotovelam em busca de lugar - só que de forma mais confortável.

Tudo muito organizado. Mas não funcionou.

O número de usuários só crescia. Alguns se queixavam da falta de orientação e da novidade. "Como os caras fazem um negócio desses?", reclamou Fábio Conrado, representante comercial, soltando, com o colega Reinaldo Guimarães, uma longa lista de impropérios.

  • Horário de pico: 6h a 9h e 17h a 20h; as demais são consideradas horário de vale. Fonte: Metrô de São Paulo
Às 17h36, a primeira vaia. Daiana Alves Iogi, auxiliar contábil, passa então por um grupo de funcionários que, gritando - um deles de megafone na mão, sem conseguir utilizá-lo -, pediam para os usuários irem à direita ou à esquerda. "Pessoal, no fundo tem bastante espaço", diz uma das contratadas do Metrô, provocando risadas de quem não acredita no que ouviu.

"Quero lá saber de mais espaço? Quero é chegar em casa na hora", reclamou Adriana Braga, que pegaria o metrô até a estação Belém e depois o ônibus até o Jardim Imperador.

Na beira da plataforma, a representante do Metrô tentava explicar os objetivos e os meios da medida. Dizia que as coisas iam melhorar nos próximos dias. Que a operação não visava a acabar com a fila, mas a organizá-la. Um rapaz ouvia sem fazer cara de que estava gostando das explicações.

Ainda na Sé, pouco antes de embarcar, a auxiliar contábil Daiana disse que estava a situação era a a mesma de um dia comum, "só é mais confuso". Até passar pela porta do trem, avalia, o tempo gasto foi o igual. Dentro dele, a sensação de aperto era a de um dia como outro qualquer. "Aqui dentro é sempre assim", afirmou.

A Secretaria de Transportes Metropolitanos disse que deve repetir a operação amanhã, terça-feira (29), mas isso depende de dois fatores: um, a chuva; dois, a avaliação mais cuidadosa, que seria feita nesta noite, do que ocorreu hoje à tarde.

Tatuapé
Além da Sé, a operação de controle de fluxo de passageiros também foi implementada na estação de trens Tatuapé da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Lá, ela transcorreu sem interrupções de 17h30 a 19h. Fransciso Pierrine, gerente-geral de operações da CPTM, disse que a avaliação do primeiro dia foi positiva. "A recepção foi boa e amanhã (terça-feira) repetiremos. Em breve, vamos fazer uma avaliação geral da medida", disse.

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