Chuva recorde em setembro pode ser indício de mudança climática, diz meteorologista

Guilherme Balza
Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Chuvas frequentes e intensas, vendavais, ocorrência de temporais com granizo e até ação de tornados. Parte da população das regiões Sul e Sudeste foi duramente castigada pelo clima no mês de setembro, o mais chuvoso dos últimos anos. Para Lincoln Alves, meteorologista do Cptec/Inpe (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos), esses fenômenos extremos podem indicar que o clima está sofrendo mudanças causadas pela ação humana.

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O número de desalojados e desabrigados em razão dos temporais, chuvas de granizo e vendavais que atingiram o Sul do país no último final de semana continua a subir e já soma mais de 16 mil pessoas nos três Estados da região, segundo dados das defesas civis estaduais.


"É comum ter eventos extremos nessa época, mas não com a intensidade que ocorreram neste ano", afirma Alves. "Trabalhamos com duas hipóteses: uma delas é que os fenômenos ocorreram em função de uma variação natural do clima ao longo dos anos. A outra é que esses acontecimentos podem ser um sinal de que as ações do homem já interferem nas mudanças climáticas. Estudos científicos mostram que esses eventos ficaram mais frequentes nos últimos anos", acrescenta o meteorologista.

Nos primeiros dez dias do mês de setembro, as chuvas castigaram a região Sul e o Estado de São Paulo. No dia 8, o oeste de Santa Catarina foi atingido por tempestades e um tornado que trouxe destruição ao município de Guaraciaba. No mesmo dia, em São Paulo, as marginais ficam alagadas em razão das chuvas.

Nos dias 26, 27 e 28, tempestades e chuvas de granizo causaram estragos em centenas de municípios dos três Estados do Sul. O número de desalojados e desabrigados na região desde o último final de semana continua a subir e já soma 16.014 pessoas, segundo dados das defesas civis estaduais.

Chuva bem acima da média
As chuvas tiveram um padrão anormal durante o mês de setembro nas regiões Sul - sobretudo em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul -, e no Sudeste - com destaque para o Estado de São Paulo e o Triângulo Mineiro. Em contrapartida, segundo Alves, choveu pouco em praticamente todos os Estados da região Norte.

Durante o mês de setembro, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul choveu, em média, mais de 300 mm, quando a média mensal histórica é de aproximadamente 200 mm. Em São Paulo a média histórica fica entre 50 mm e 100 mm, mas neste mês choveu mais de 200 mm, de acordo com o meteorologista.

Já segundo meteorologistas da Somar, o volume de chuva em 28 dias de setembro chegou a 450mm entre o nordeste do Rio Grande do Sul e o sudeste e Santa Catarina e também entre o oeste catarinense e o sudoeste do Paraná. Nos Estados do Norte, com exceção do sul do Pará, choveu entre 50 mm e 100 mm, quantidade que representa quase a metade da média histórica - entre 150 mm a 250 mm, segundo Alves.

Em nove municípios catarinenses o recorde histórico de chuvas em setembro foi quebrado. Em Campos Novos, choveu 489 mm, quando a média é de 194 mm. Já em São Joaquim, considerada a cidade mais fria do Brasil, foram 443 mm de chuva em setembro, para uma média mensal de 165 mm.

"Pela climatologia, outubro será bastante chuvoso em Santa Catarina. As chuvas devem continuar até a primeira quinzena de novembro", diz Laura Rodrigues, meteorologista do Centro de Informações Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram).

Neste ano, ocorreu a atuação do fenômeno El Niño, que provoca o aquecimento das águas do Pacífico equatorial e altera a dinâmica do clima em escala global. Na porção sul do Brasil, o El Niño favorece o desenvolvimento de nuvens e o aumento das chuvas, sobretudo quando há o choque de uma frente fria com o ar quente.

Outubro
A influência de frentes frias, de áreas de instabilidade (conhecidas como Complexo Convectivo de Mesoescala) e também do El Niño irá provocar chuvas acima da média em boa parte da região Sul e no sul de Mato Grosso do Sul durante o próximo mês, segundo os meteorologistas da Somar.

Já na maior parte do Sudeste e do Centro-Oeste e no litoral do Nordeste (especialmente da Bahia) as chuvas ficarão dentro da média do mês, já que as frente frias devem atingir boa parte dos Estados, sobretudo do Sudeste e Centro-Oeste.

De acordo com o meteorologista Celso Oliveira, outubro não será muito quente, a exceção são os Estados da região Norte, além de Maranhão e Piauí. No centro e sul do Brasil, as temperaturas ficarão entre a média e abaixo da média por conta da ocorrência de frentes frias.

*Com informações do Tempo Agora

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