Policiais federais voltam a pedir saída do diretor-geral e param por 24 horas em protesto

Fabiana Uchinaka*
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizada às 11h58

Cerca de 500 policiais federais do Distrito Federal e representantes de sindicatos dos outros Estados voltaram a protestar na manhã desta quarta-feira (30) e estão reunidos em frente ao Ministério da Justiça durante paralisação de 24 horas. A categoria pede o afastamento do atual diretor-geral da Polícia Federal, Luís Fernando Corrêa, e tenta negociar o reenquadramento dos policiais da terceira para a segunda classe. O último protesto aconteceu em 25 de agosto e terminou sem avanço nas negociações.

Protestos

No dia 25.08, a mobilização de policiais em frente à sede da PF em Brasília encerrou-se sem avanço nas negociações. Segundo o diretor do Sindipol-DF, Flávio Werneck, "a direção do Departamento de Polícia Federal está com as portas fechadas para nossas solicitações". Os manifestantes não conseguiram ser ouvidos pela DPF



Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal (Sindipol/DF), Claúdio Avelar, o pedido de saída de Luís Fernando Corrêa é unânime entre os policiais. "Nunca houve tanta intervenção política como na administração dele. Queremos realizar um trabalho técnico, mas com ele na administração estamos voltando ao tempo da ditadura", afirmou.

De acordo com o sindicato, o rebaixamento de classe afeta 40% da categoria e é uma "decisão arbitrária do governo federal", porque os concursados foram aprovados para a segunda classe e foram colocados em uma terceira classe, que não existia e foi criada por medida provisória. O rebaixamento significa mais uma classe na carreira e, consequentemente, mais tempo de trabalho e mais tempo para se chegar à aposentadoria.

"Em 2004, candidatos com formação superior completa, prestaram concurso público para os cargos de delegados, agentes, peritos, papiloscopistas e escrivães. Na ocasião, a Polícia Federal se dividia em duas classes distintas, além da classe especial, e a 3° classe foi criada depois da aprovação dos candidatos que haviam prestado concurso de acordo com a lei vigente", explicou o sindicato em nota.

Avelar disse ainda que o Ministério da Justiça e a direção da PF já reconheceram que o rebaixamento é um erro e prometeu resolver, mas até agora "ficou só nas promessas".

Se as reivindicações não forem ouvidas, o Sindipol/DF afirma que entrará em greve por tempo indeterminado. O Ministério da Justiça ainda não se manifestou sobre o assunto.

Operação padrão no Paraná
No Paraná, os policiais federais realizam desde o início da manhã uma operação padrão na Ponte Internacional da Amizade e na Ponte Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, em apoio ao movimento do sindicato.

Na Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, transitam diariamente 60 mil pessoas. A agente policial que coordena a operação, Bibiana Orsi, disse à "Agência Brasil", a situação na ponte é tranquila e sem fila.

"Estamos vistoriando 100% dos veículos e pedestres que voltam com compras do Paraguai e quem está indo para aquele país. No total, 50 policiais estão no local. Eles estão explicando os motivos e a população entende", disse.

A situação é a mesma na Ponte Tancredo Neves. "Quem passa por lá tem que apresentar todos os documentos e carros são vistoriados", completou.

A agente lembrou que a delegacia da PF na tríplice fronteira Brasil, Paraguai e Argentina é a maior do país. "E trabalha com um efetivo de apenas 235 policiais, quando na realidade precisaríamos de pelo menos o dobro. Estamos sobrecarregados ", afirmou, explicando que esse também é um dos motivos da operação, que não é apenas a questão salarial.

* com informações da Agência Brasil

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