Sul não tem radares suficientes para prever fenômenos climáticos, dizem meteorologistas

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atingida por fenômenos climáticos extremos com frequência, a região Sul do Brasil não possui radares meteorológicos suficientes para cobrir todo o seu território, segundo meteorologistas entrevistados pelo UOL Notícias. Os radares são capazes de detectar com precisão a ocorrência de chuvas intensas, tempestades, tornados, ciclones, entre outros em um raio de até 200 km.

Chuva recorde em setembro

Chuvas frequentes e intensas, vendavais, ocorrência de temporais com granizo e até ação de tornados. Parte da população das regiões Sul e Sudeste foi duramente castigada pelo clima no mês de setembro, o mais chuvoso dos últimos anos. Para Lincoln Alves, meteorologista do Cptec/Inpe (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos), esses fenômenos extremos podem indicar que o clima está sofrendo mudanças causadas pela ação humana


Os radares são capazes de informar sobre um fenômeno entre uma e três horas antes de sua ocorrência em determinado local, tempo que permite às defesas civis alertarem as populações que vivem em áreas de risco e prestarem a devida assistência. Existe apenas um radar em Santa Catarina e outro no Paraná. No Rio Grande do Sul existem três - dois deles, no entanto, captando informações praticamente da mesma região.

Em Santa Catarina, o radar é da Aeronáutica e fica em Urubici, na região serrana (sudeste do Estado). "Esse radar não atende às nossas necessidades. Ele não está operante na maioria das vezes. Em novembro do ano passado [quando as chuvas atingiram a região do vale do Itajaí e mataram mais de 130 pessoas], por exemplo, o radar estava em manutenção", diz Sérgio Zampieri, coordenador do Centro de Informações Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram), órgão vinculado ao governo do Estado.

Atingido no último dia 8 de setembro por um tornado que deixou um rastro de destruição, o município de Guaraciaba (SC), por exemplo, não tem cobertura de nenhum radar meteorológico.

Segundo Zampieri, fruticultores da região de Lebon Régis, no centro do Estado, instalaram um radar para detectar chuvas de granizo e evitar prejuízos à produção. O equipamento é analógico e defasado. "Os produtores firmaram uma parceria com a Fapesc (Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica de Santa Catarina) para digitalizar o radar. Aí sim ele poderá nos ajudar, ainda que não tenha o mesmo alcance de outros radares", afirma o coordenador do Ciram.

Zampieri afirma que a bancada catarinense no Congresso propôs emenda a uma medida provisória, que foi assinada no final do ano passado para liberar R$ 1,6 bilhão para os Estados e municípios atingidos pela chuva, para que Santa Catarina recebesse R$ 10 milhões para o desenvolvimento de radares. "Além da adequação dos dois radares existentes, precisamos de outro que cubra a região oeste, que é por onde entram os sistemas [chuvas, ventos, entre outros]."

Falta de aparelhos no Paraná
Para Leonardo Calvetti, meteorologista do Instituto Tecnológico Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná - órgão do governo do Estado), que fez mestrado sobre radares meteorológicos, o Paraná necessita de três radares. O único que existe atualmente fica em Teixeira Soares, na região de Ponta Grossa, que cobre o sudeste do Estado e a região metropolitana de Curitiba. "Existe uma proposta de instalação de dois radares, um em Cascavel (oeste), que é a nossa prioridade, em razão da ocorrência de tempestades severas, e outro na região de Londrina (norte)", afirma.

De acordo com Calvetti, houve uma aproximação do governo do Estado com o governo federal para o financiamento de radares, mas no momento as conversas estão paralisadas. "É necessário termos uma rede de radares. Dessa forma é possível prever a direção dos fenômenos, enxergar as tempestades", diz o meteorologista.

No Rio Grande do Sul, há dois aparelhos de medição da Aeronáutica - um em Canguçu, no sudeste do Estado, e outro em Santiago, no centro-oeste. Há outro radar na Universidade Federal de Pelotas que, no entanto, cobre praticamente a mesma área do equipamento de Canguçu. Quase a totalidade da região norte do Estado não é monitorada pelos equipamentos.

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