Após o fim da greve, Correios devem normalizar entregas até a próxima quinta-feira

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Bancos e grevistas retomam negociação salarial

Integrantes do Comando Nacional dos Bancários se reúnem novamente com representantes da Fenaban ("braço" sindical da Febraban - Federação Brasileira dos Bancos) nesta sexta-feira (2), em São Paulo, para negociar uma saída para a greve da categoria, que hoje completa nove dias de duração. Ontem (1º), as partes se reuniram por nove horas mas não chegaram a um acordo.


A entrega de correspondências que estavam atrasadas em virtude da greve dos trabalhadores dos Correios deve ser concluída até a próxima quinta-feira (8). Das 53,4 milhões de cartas que estavam acumuladas no dia 28, quando acabou a greve após 12 dias, 23 milhões já chegaram aos seus destinos, segundo a assessoria da estatal.

Já a entrega das 77 mil encomendas em atraso deverá ser concluída até no máximo segunda-feira (5). Nos últimos três dias, os trabalhadores dos Correios entregaram aproximadamente 265 mil encomendas da carga atrasada, de acordo com a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). A estatal afirmou, no dia em que a greve acabou, que o prazo máximo seria de dez dias tanto para correspondências, quanto para encomendas.

As exigências iniciais dos trabalhadores incluíam reajuste salarial de 41,03%, aumento linear de R$ 300 para todos os funcionários, além de redução da jornada de trabalho e contratação de mais servidores por concurso. Os Correios apresentaram sua contraproposta, que valeria para os próximos dois anos, oferecendo aumento salarial de 9%, reajuste linear de R$ 100, aumento no valor do vale-refeição de R$ 20 para R$ 21,50 por dia.

Dos 35 sindicatos que compõem a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), 18 resolveram voltar ao trabalho e aceitar a proposta da estatal. Trabalhadores dos outros sindicatos retornaram às suas atividades sem aceitar a proposta. Com a aceitação da maioria, a Fentect encaminhou à ECT um comunicado informando que os trabalhadores aceitaram a proposta anteriormente negada.

Na semana passada, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) convocou a empresa e os trabalhadores para uma audiência de conciliação, mas as partes não chegaram a um acordo. Sendo assim, o TST iria julgar o dissídio coletivo, mas, diante da aceitação da proposta por parte dos funcionários, o julgamento não deve ocorrer. Os Correios deverão enviar nos próximos dias um documento ao tribunal informando o acordo.

De todos os itens da proposta da estatal, o que mais causou rejeição entre os trabalhadores é o acordo valer pelos próximos dois anos. Os funcionários exigiam que o acerto vigorasse somente até o ano que vem, segundo a Fentect. "O governo quer fechar um acordo com as estatais pelos próximos dois anos porque quer afastar a possibilidade de greves e protestos por melhores salários em ano de eleição e, assim, evitar desgastar o candidato do presidente", diz Nilson Rodrigues, integrante da federação em Curitiba.

Questões políticas
Diante da greve da categoria, o presidente Lula, cuja carreira política foi construída a partir da posição de líder sindical, julgou a atitude dos trabalhadores e deu um recado aos sindicalistas: "o bom dirigente sindical é aquele que tem coragem de começar a greve e tem coragem de acabá-la. O dirigente que fica pedindo aquilo que está além das possibilidades [da empresa], apenas para dizer que vai continuar em greve, pode levar os trabalhadores a prejuízos enormes no final das contas".

Nilson Rodrigues, que entregou ao presidente lista de reivindicações da categoria, respondeu à afirmação: "o próprio Lula, quando era dirigente sindical, acabou com greves que ele não poderia ter acabado. Ele tem que rever o seu passado de dirigente sindical antes de falar isso. Inclusive a história mostra que teve momentos em que ele foi 'pelego'".

As eleições do ano que vem ocuparam um papel importante dentro da negociação pelo fim da greve e dividiram o movimento: dos sete trabalhadores da comissão de negociação, três são ligados à Articulação Socialista (do PT), à Corrente Socialista Classista e à Central dos Trabalhadores do Brasil (ambas ligadas ao PCdoB), setores que apoiam o governo federal.

Os outros quatro integrantes são ligados à Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), Movimento Resistência e Luta e PCO (Partido da Causa Operária), correntes de oposição ao governo petista. Do grupo, inicialmente só concordaram com a proposta apresentada pelos Correios os três integrantes das correntes ligadas ao governo, o que enfraqueceu a paralisação e obrigou os trabalhadores recuarem.

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