"Salve Geral" estreia com protesto de mães de vítimas do confronto PCC e polícia

Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A estreia nesta sexta-feira (2) do filme "Salve Geral", que tem como pano de fundo o confronto entre a facção PCC e a polícia, gerou protesto dos familiares das vítimas da matança de maio de 2006.

AS "MÃES DE MAIO"

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Grupo de mães de vítimas de maio de 2006 promovem passeata na rua Augusta, no centro

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Na frente do shopping Center 3, manifestantes acendem velas em meio a fotos dos mortos

A manifestação, inicialmente marcada para acontecer na frente da sala de cinema Espaço Unibanco, na região central de São Paulo, acabou transferida para o shopping Center 3, em plena avenida Paulista. Tudo porque a produção não entrou em cartaz no cinema da rua Augusta como estava inicialmente programado.

O grupo chamado de "Mães de Maio", apoiado por outras associações, fez uma curta passeata com faixas e cartazes e se postou na frente do shopping, acedendo velas ao lado de fotografias de algumas dezenas de mortos entre os 493 que foram assassinados entre os 12 e 20 de maio de 2006 no Estado de São Paulo.

"Esse filme falta com o respeito com a memória de quem morreu por esquadrões da morte e pela própria polícia. Faltou mostrar a realidade do que aconteceu", criticava Débora Maria da Silva, que teve o filho Édson Rogério assassinado no período em São Vicente, litoral paulista (confira o vídeo abaixo com o testemunho das mães).

Indicado brasileiro para disputar a nominação ao Oscar de filme estrangeiro, "Salve Geral" conta a história de uma mãe, interpretada por Andrea Beltrão, que vive o drama de defender o filho presidiário em meio aos eventos de três anos atrás, que deixaram o Estado em pânico e causaram a maior crise de segurança do país.

"A única coisa boa desse filme é que ajudou a abrir a discussão sobre um tema que estava esquecido", afirma Débora, que preside a Associação de Amparo a Mães e Familiares Vítimas de Violência, também conhecido como "Mães de Maio".

Outra mãe de vítima, Vera Lúcia de Freitas diz que faltava uma referência aos fatos em que o filme é baseado. "Tudo bem que é uma ficção. Mas, no final, podia mostrar a quantidade de mortos e a impunidade que acontece até agora", declarou a mãe.

Rose Nogueira, diretora da associação Tortura Nunca Mais, estava também no protesto. "Admiro o diretor Sérgio Rezende, mas ele tem que fazer um `Salve Geral 2Ž para mostrar o que de verdade aconteceu em São Paulo", disse a ativista.

O ato reuniu cerca de 50 manifestantes. Eles permaneceram na calçada da avenida Paulista e não tentaram entraram no shopping, cujo cinema exibia o filme. Atos semelhantes aconteceram no Rio e em Salvador, organizados por entidades ligadas aos direitos humanos.

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