Maior a cada dia, greve dos bancários recebe apoio e críticas da população

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizado às 21h20

População opina sobre a greve

  • Afetada pela greve, a população se divide entre
    os que apoiam e os que criticam os bancários


A greve dos bancários, que atinge os 26 Estados e o Distrito Federal, vem crescendo a cada dia desde quando foi iniciada, no último dia 24. De lá para cá, o número de agências e postos de trabalho paralisados aumentou de 2.881 para 7.054, segundo balanço divulgado na noite desta segunda-feira (5) pela Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), o que representa mais de 35% do total do país.

A Fenaban ("braço" sindical da Febraban - Federação Brasileira dos Bancos) não informa sobre a adesão à greve. Os bancários rejeitaram proposta oferecida pela federação, que ofereceu reajuste de 4,5% nos salários no último dia 17.

A categoria pede reajuste de 10%, além de PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) composta por três salários mais valor fixo de R$ 3.850. A proposta da Fenaban previa pagamento de 1,5 salário, limitado a R$ 10 mil e a 4% do lucro líquido do banco. Os trabalhadores pedem também proteção ao emprego, mais contratações, além do "fim do assédio moral e das metas abusivas".

Afetada pela greve, a população se divide entre os que apoiam e os que criticam os bancários. "Na minha opinião [a greve] é justa. Todo mundo merece ganhar melhor", afirma a pensionista Maria de Lourdes da Conceição, 57. "O pessoal tem motivo para fazer greve. Tem que reivindicar, senão não tem aumento", acrescenta Clara Regina Pinto de Oliveira, 47, atendente de videolocadora.

Já Leonardo da Silva Souza, 19, não consegue sacar o dinheiro do seu FGTS (Fundo de Garantia sobre Tempo de Serviço) em razão da paralisação. ""Vou voltar a trabalhar na quarta-feira e não tenho dinheiro agora para ir trabalhar. Tenho que pagar a prestação da moto. Tem que acabar com essa 'palhaçada'", diz.

Desempregado, Luiz da Silva, 51, teve o cartão pelo qual consegue sacar as parcelas do seguro-desemprego roubado e depende do funcionamento dos caixas para retirar o benefício. "Isso tá me prejudicando muito, estou passando necessidade por causa deles [bancários em greve]. Enquanto eu corro atrás de serviço, tenho que pegar meu seguro-desemprego. E não estou conseguindo. Sou barrado em todo lugar", afirma.

A paralisação das agências não altera as datas de vencimento de contas e dívidas. A Fenaban orienta a população a procurar as agências e, se caso estiverem fechadas, pagar as contas em casas lotéricas, supermercados, farmácias, pela internet ou por telefone.

A Federação, no entanto, não apresentou alternativas para as pessoas que não têm acesso à internet e/ou possuem dificuldades em realizar operações por telefone ou em caixas eletrônicos. Há também operações que só podem ser realizadas na "boca do caixa". "O único jeito para a gente é o banco", diz Leonardo.

Negociações
Na quinta e sexta passada, integrantes do Comando Nacional dos Bancários e representantes da Fenaban não chegaram a um acordo, após cerca de 15h de reunião. "Foi decepcionante. Pensávamos que eles fariam uma proposta melhor, mas eles querem reduzir o PLR. E deixaram isso claro hoje, mas não abriremos mão das nossas reivindicações e a nossa greve irá ampliar nos próximos dias", afirmou Carlos Cordeiro, presidente da Contraf.

Em nota, a Fenaban disse que mesmo "após exaustivas discussões, as posições ainda apresentavam diferenças que precisam ser reduzidas para se chegar a um acordo final, dado que as alterações indicadas pelos sindicatos não se adequam à fórmula de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) construída em conjunto em 2006 e vigente até agora". Segundo a Federação, as negociações continuam em aberto.

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