Falta de luz por mau tempo ainda afeta 68 mil consumidores no RS

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre


Rio Grande do Sul e Santa Catarina amargam nesta terça-feira (6) os efeitos de novos temporais que atingiram o Sul do país na segunda-feira (5). O mau tempo veio acompanhado de ventos com velocidade superior a 100 quilômetros horários em algumas cidades e causaram transtornos, como queda de postes e destelhamento de casas.

No Rio Grande do Sul, cerca de 68 mil residências continuam sem energia elétrica nesta tarde. Na área de fornecimento da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), o balanço indica que 16 mil clientes ainda permaneciam sem luz na capital e região metropolitana. Segundo a empresa, 120 equipes de socorro continuam trabalhando para normalizar o fornecimento.

No interior, as duas distribuidoras de energia calculam que 40 mil clientes continuam desde ontem sem fornecimento de energia. Na AES Sul, há 37 mil clientes sem luz principalmente nas cidades de Canoas, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo. Na região da Rio Grande Energia (RGE), 15 mil consumidores continuavam sem abastecimento até o início desta tarde.

Sul não tem radares suficientes para prever fenômenos climáticos

Atingida por fenômenos climáticos extremos com frequência, a região Sul do Brasil não possui radares meteorológicos suficientes para cobrir todo o seu território, segundo meteorologistas entrevistados pelo UOL Notícias.


É a segunda tempestade de grandes proporções que atinge o Rio Grande do Sul nos últimos 10 dias. A Defesa Civil gaúcha contabiliza 32 cidades em situação de emergência desde o dia 26 de setembro. Trindade do Sul e Três Palmeiras, na região norte, encaminharam decreto ao governo estadual nesta tarde. Apesar da intensidade da chuva, não há desabrigados ou desalojados no Estado.

O temporal da segunda-feira foi provocado pela entrada de uma massa de ar polar vinda da Argentina, no começo da tarde. Antes da chuva e do vento, a temperatura bateu em 36ºC na região oeste do Rio Grande do Sul. Em Uruguaiana, na divisa com a Argentina, houve queda de postes e árvores. As rajadas de vento chegaram a 80 quilômetros.

Em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, a chuva alcançou 60% de toda a média do mês de outubro. Em Bagé, houve chuva de granizo e alagamento em várias ruas. A BR-153, que liga a cidade ao centro do Estado, ficou interditada pela queda de um árvore.

Em Porto Alegre, o temporal chegou o final da tarde depois que os termômetros registraram até 34,5ºC de calor. Segundo o 8º Distrito de meteorologia, o vento na capital alcançou rajadas de 111 km/h.

Houve falta de luz em vários pontos da cidade. Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), 200 dos 950 semáforos de Porto Alegre pararam de funcionar devido ao vendaval.

"Está todo mundo com medo", diz morador de Ilhota

Dez meses depois, a pequena Ilhota (a 112 km de Florianópolis) vive novamente o drama da chuva intensa, que deixou 47 mortos na cidade em novembro do ano passado. "Todos querem ir embora, estão desanimados. É calamidade mesmo, está todo mundo com medo, mas medo mesmo", disse Leoni Reinert, de 42 anos.


Na BR-290, na saída de Porto Alegre, três postes de alta tensão tombaram e causaram congestionamento de quatro horas na região metropolitana. Três pontos da BR-116 também tiveram interrupções parciais, agravando a situação do trânsito na grande Porto Alegre.

A Defesa Civil continua as buscas na cidade de Barra do Ribeiro para localizar dois rapazes que foram surpreendidos durante o temporal a bordo de uma embarcação. Os dois jovens estavam pesando numa ilha do Guaíba quando foram atingidos pela tempestade.

Um terceiro tripulante foi resgatado por outra embarcação. O Corpo de Bombeiros de Guaíba encontrou o bote em que os rapazes pescavam a cerca de 500 metros do local onde o desaparecimento foi registrado, mas os mergulhadores não encontraram vestígios dos jovens.

Santa Catarina
Em Santa Catarina, o temporal danificou casas e prédios comerciais em Criciúma e Santa Rosa do Sul, ambas no sul do Estado. Em Criciúma, uma pessoa ficou ferida. Pelo menos seis cidades ficaram completamente sem luz, segundo a Defesa Civil catarinense. As rajadas de vento chegaram a 80 quilômetros por hora em Araranguá.

Timbé do Sul, Turvo, Içara e São João do Sul registraram queda no fornecimento de energia. Segundo a agência regional das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), 40 mil consumidores ficaram sem luz no sul do Estado. Pela manhã, 8.000 casas continuavam sem abastecimento. Na região oeste, um temporal também destelhou casas em Chapecó.

Choveu forte nesta terça-feira nas regiões norte e noroeste do Rio Grande do Sul e no sul de Santa Catarina, mas não foram registrados danos materiais. A previsão para a quarta-feira (7) é de tempo nublado com pancadas isoladas de chuva no centro e oeste do Rio Grande do Sul. Nas regiões norte e noroeste do Estado, a Defesa Civil mantém o alerta para a possibilidade de chuva forte em áreas isoladas.

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